30 de setembro de 2015

27 de setembro de 2015

O avesso das coisas, de Drummond

Qualquer um que me conheça minimamente advinha meu fascínio com os aforismos de O avesso das coisas, de Carlos Drummond de Andrade, e entende meu descontentamento com a respectiva ediçãozinha bonachona publicada pela Ed. Record.

A começar pelas ilustrações de Jimmy Scott: de talento inegável, mas cujo ar exageradamente caricato destoa da refinada ironia melancólica do conjunto de máximas do autor, as quais humildemente ele batizou de "mínimas" em sua bela introdução.

Isso, aliás, no mínimo me faz pensar: se até a Record é capaz de cometer esse tipo de erro, também é lícito eu conjecturar que o evidente desencaixe da edição ao seu conteúdo (similar ao corriqueiro sentimento de desencaixe do sujeito ao mundo, tão poetizado pelo autor) pode ser apenas uma maneira criativa de mostrar o tal "avesso das coisas" - neste caso, mostrar que até ao avesso da mais alta elegância literária pode haver uma imensa cafonice editorial.

Mas o mais impressionante de tudo é perceber como o livro consegue ser tão bom apesar da edição. É o verdadeiro avesso do mercado editorial contemporâneo, que enche as prateleiras de edições refinadíssimas, mas com conteúdos de qualidade no mínimo duvidosa.

26 de setembro de 2015

Livros molhados

Começo a perceber que a intensidade das chuvas que nos sobrevêm são proporcionais ao número de livros que carrego comigo e à fragilidade das sacolas que uso para carregá-los.

Ademais: constato que a tempestade se deleita ao molhar os pertences dos desprevenidos; lembrando que, em muitos casos, "desprevenido" não é apenas quem carrega livros debaixo de chuva, mas sim todo aquele que a mim os empresta - quer sejam bibliotecas, quer sejam amigos.

23 de setembro de 2015

Melhorando o que já era bom

Nada mais natural do que desejar sua felicidade e me empenhar por ela, afinal você é a mulher que amo, que me faz muito mais feliz e que também está lutando, de maneira belíssima, pelo bem-estar do nosso amado filho, mais novo fruto do nosso amor. A cada ano que passa admiro mais e mais seu jeito de pensar, de agir e de sentir, suas mil faces de ternura e carinho, seu jeito elegante e simples de brilhar, lindo e leve de levar a vida a sério e de torná-la melhor para quem está ao seu redor. Parabéns não apenas por mais um ano de vida e pelas conquistas tão marcantes dos últimos tempos, mas parabéns, principalmente, por ser esse tipo de gente rara, tipo caída do céu, que nos faz ver na prática que o respeito, o amor e a felicidade existem, sim, e que são maravilhosos de viver. Que você siga bem em seus caminhos, sempre cheia de vigor, de serenidade e de desafios superados. Que desfrute de um lar cada vez mais aconchegante, de lugares bonitos para conhecer e voltar, de amigos e familiares sempre próximos e com saúde, de sucesso e realização em seu trabalho e em todos os seus projetos pessoais. Que você siga aproveitando cada mínimo detalhe e cada pequeno aprendizado advindos dessa imensa responsabilidade de sermos mãe e pai. E que você possa continuar tendo ao seu lado esse meu amor, essa minha admiração e essa minha disposição para, juntos, seguirmos construindo um caminho abençoado para nós e, como já sonhávamos, para nosso godinho que chegou chegando, melhorando o que já era bom!

Feliz aniversário, ma chérie, mais uma vez!

19 de setembro de 2015

Um pé atrás

Tem lá sua razão quem diz que uma boa dose de frustrações ajuda a construir um bom escritor. Agora, entre dar mais importância à biografia do autor do que à sua elaboração artística, há um abismo perigoso. Se a história pessoal de quem escreve fosse mesmo tão essencial, vasculhar a vida de cada crítico literário antes de o levar a sério também seria necessário: estudá-los-íamos com um pé atrás a cada indício de escritor frustrado.

18 de setembro de 2015

É isso que anda restando

De Dunga não querer pastores infiltrados nos bastidores da Seleção, sou totalmente a favor. Agora, de o técnico brasileiro não convocar nem o pastor artilheiro do brasileirão para a estreia das eliminatórias contra o fortíssimo Chile, aí eu já não gosto. Não pela canarinho em si, mas bem que podia pelo menos desfalcar ainda mais o Peixe, que está vindo com tudo por aí. Afinal, é isso que anda restando a este reles são-paulino: secar os rivais.

5 de setembro de 2015

Os conselhos do mar

Aos marinheiros de primeira viagem.

Um barco no mar com um senhor e um homem auxiliando uma criança a subir as escadas rumo à lua. Cena do curta-metragem La Luna, da Pixar.

O mar guarda em si as histórias de todos os navegantes que já o enfrentaram. Bons e maus, bem e mal sucedidos. De distintas épocas e diferentes destinos: em cada onda, em cada gota, uma lição.

No barco da vida,
os conselhos são o mar. 

Sem o mar,
o barco não sai do lugar. 

O bom navegador ouve cada história com muito respeito, atenção, sensibilidade e humildade. Conduz seu barco com firmeza e senso de direção, principalmente em meio às tormentas. Não se encanta com o canto das sereias, nem se desespera com o estrondo dos trovões. Garante que nenhum furo ou ventania deixará a água do mar se intrometer a ponto de o fazer naufragar. E entende, pelas próprias histórias que ouve, e que vai vivendo, que o mar é inevitável, às vezes traiçoeiro, mas sempre essencial.