28 de janeiro de 2014

A Fila Anda

Impactaste minha vida como caminhão tombado na pista expressa da Marginal Tietê, como objeto na via às sete da manhã. Fizeste meu coração bater forte como bateria no Anhembi, como torcida organizada em final de campeonato. Puseste-me ansioso e sem escolha como trabalhador na linha vermelha querendo entrar em trem lotado, como mãe na fila do SUS. Encheste minha esperança como a 25 de Março no Natal, como córrego em verão. Deixaste meu amor grande e louco como o preço dos imóveis, como o trânsito da M'Boi Mirim. E minha vida ficou boa como pastel de japonês, como piscina do Sesc. Mas usaste-me e esqueceste-me como político eleito, como bituca de cigarro. Fiquei pálido e sem vida como céu cinza sem estrelas, como flor de shopping center. Perdido e sem rumo como turista na Paulista, como criança em beco da Luz. E quis voltar no tempo como retirante nordestino, como costureira boliviana. Mas não consigo esquecer-te. A fila não anda nesta cidade.

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