28 de junho de 2013

Aforismos

Hei de ter dois tipos de críticos: um que apontará minha mania de utilizar dois-pontos e ponto-e-vírgula; outro que apontará minha mania de dividir tudo em dois tipos.

No entanto, nenhum deles será tão assertivo quanto aquele que apontar minha mania de, sistematicamente, começar sempre negando uma coisa verossímil para, logo em seguida, afirmar com convicção algo menos superficial.

Ou ainda: minha mania de exemplificar com metáforas como quem arranca uma planta da terra para, em seguida, propor o jeito certo de plantá-la e cultivá-la.

Literalmente, pelo menos até aqui, é assim que penso e, sobretudo, é assim que escrevo.

Pura diversão!

24 de junho de 2013

Não só [, mas também]

Prato cheio aos analistas do discurso (ou a qualquer cidadão minimamente sensato):
« "Nós [a Fifa] não estamos aqui só para encher os bolsos e sair do país", afirmou o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke. Em seguida, ele acrescentou: "Sempre se pode fazer mais. (...)" » (matéria do UOL)

20 de junho de 2013

A Solidão é como o Silêncio na Música

Há quem diga que a solidão é essencial para o encontro consigo mesmo e, por consequência, a melhor ocasião para o desenvolvimento pessoal.

Mas não basta:

Quanto mais próximos uns dos outros, no melhor e no pior de cada um, mais referenciais do que fazer ou não e, por consequência, mais ocasiões para o desenvolvimento pessoal e, principalmente, coletivo.

A solidão é como o silêncio na música: essencial, sim, desde que seja intercalada com algumas notas-solo e, principalmente, com muito acorde coletivo.

19 de junho de 2013

O Sistema


"O Sistema": presente em praticamente todas as nossas ações no dia; espécie de algo imutável ao qual – dizem – devemos nos adaptar, pouco importando que seja criado e administrado por outros humanos (ou seja, pouco importando que, no fundo, seja completamente mutável).

15 de junho de 2013

Lição de Desigualdade

Certo dia, uma senhora "do bem" (meia idade, classe média) adentra ao supermercado anexado ao shopping center da cidade, ou melhor, do bairro. (antro do consumo: cenário ideal para uma ilustração social)

Enquanto assiste aos comerciais pela televisão instalada para entreter os consumidores com incentivos de "sejam felizes", espera irritada na fila do caixa. (filas: todos estão sujeitos e acostumados a elas: a pé, de carro, até mesmo de avião)

Ao chegar ao caixa, percebe que um produto está vencido (é preciso que os produtos tenham curto prazo de validade para que a economia rode) e, revoltada, reclama para a pobre atendente que, também estressada, aciona um apoio.

Uma espécie de sirene começa a piscar.

Enquanto o apoio não vem, os itens vão sendo lançado no sistema. ("o sistema": presente em praticamente todas as nossas ações no dia; espécie de algo imutável ao qual – dizem – devemos nos adaptar, pouco importando que seja criado e administrado por outros humanos)

De repente, a pobre atendente – ou melhor, a caixa registradora – apresenta na tela um preço divergente: a prateleira marcava R$ 3,00, mas a tela do sistema mostra R$ 3,20.

O que vale é o que aparece na tela, senhora – afirma a pobre atendente.

É a gota d'água para a senhora do bem se exaltar e começar a reclamar em alto e bom som sobre o serviço prestado ali. Afinal, é uma vergonha – esbraveja – trabalhar tanto, pagar tão caro e não ter seus direitos garantidos.

Neste momento, o apoio acionado pela sirene chega e pede à senhora que se acalme e deixe os demais consumidores passarem enquanto o gerente é acionado. No entanto, a senhora do bem – que, afinal, está nos "seus" direitos – diz que não: ninguém vai passar enquanto o caso dela não for resolvido.

As demais pessoas do bem que estão na fila começam a esboçar murmurações, mas sabem que fariam o mesmo se fossem elas as acometidas por tal barbárie.

Enquanto o gerente não vem, a televisão troca a felicidade dos comerciais por uma sentença de noticiário. Junto à foto tenebrosa, a notícia "vândalos atrapalham trânsito em mais uma noite violenta" preenche a tela.

A notícia parece ter um efeito analgésico e criar um vínculo tácito entre as pessoas do bem que estão na fila. Elas logo começam a trocar reclamações sobre os vândalos: os mais contidos dizem que lutar pelos direitos é preciso, desde que não atrapalhe a vida de ninguém; outros mais veementes dizem que é um absurdo tanto alvoroço por causa de centavos.

O filho de uma pessoa do bem pergunta se foi mesmo o tal de vândalo (ainda não sabe muito bem o que isso significa) que quebrou aquilo.

O bom pai, sempre atencioso, afirma: se apareceu na tela, então é verdade, filho.

O filho pergunta para ver se entendeu: o tal de vândalo é igual à senhora que está atrapalhando todo mundo para ser notada e ter seus direitos garantidos, não é?

O bom pai, sempre atencioso, afirma: não, filho, é diferente.

Ali, mais uma vez, o filho aprende com o bom pai um pouco sobre a sociedade em que vive: uma verdadeira lição de desigualdade. (não apenas de opiniões; mas principalmente de direitos)

Afinal, deve ter pensado o pai, nenhum manifestante "paga um serviço" como a senhora do bem; os impostos servem para qualquer outra coisa. (a televisão troca a notícia dos vândalos por uma chamada da Copa do Mundo)

Ou ainda: para que protestar com violência, atrapalhando os outros? Não há outra forma de reivindicar seus direitos? ('num rompante de violência, sentindo-se tacitamente apoiada pelas demais pessoas de bem, a senhora começa a jogar os produtos no chão e gritar contra a pobre atendente pela demora na solução de seu problema)

Coitada! Veja o que essa cidade obrigou a pobre senhora a fazer – observa o pai. (enquanto a sirene continua piscando)

O filho, outrora assustado, começa a se acostumar com tudo aquilo. Percebe que a violência exibida na televisão de fato existe na realidade, embora a realidade que ele está vivendo seja diferente da que ele está assistindo. (voltam os comerciais com incentivos de "sejam felizes")

É simples: então quer dizer que vândalo significa ser humano! – conclui o garoto. E sorri, satisfeito.

12 de junho de 2013

Realizar um Sonho

Releitura do texto "Sonhos".

Realizar um sonho não é apenas alcançar aquilo que você já queria: isso se chama alcançar uma meta; caminhar pela estrada até chegar ao destino desejado.

Realizar um sonho, na verdade, é descobrir algo que é melhor do que qualquer coisa que você poderia imaginar.

Um sonho é algo que, embora advindo da imaginação, sempre está além dela. É como o sol que nasce no horizonte da estrada e, em outra dimensão, dá vida ao mundo inteiro.

Ou ainda: um sonho é como minha querida Juliana: parte fundamental do meu caminho, não como estrada em que piso ou como ponto a que chego: mas como um sol que me ilumina, que me aquece, que me faz enxergar melhor e que, independentemente de mim, brilha muito, esteja onde estiver.

Esposa, feliz dia do namorados!

9 de junho de 2013

Coragem

Coragem nem sempre é enfrentar o inimigo mais forte; muitas vezes, é saber evitá-lo ou mesmo, se preciso, saber fugir dele sem vergonha alguma.

Isso vale principalmente para um grande inimigo nosso: a tentação de fazer algo que, embora agradável ou vantajoso, seja diferente daquilo que acreditamos ser o mais justo ou o mais certo.

Coragem, em suma, é ter a honra não apenas de enfrentar perigos, mas principalmente de manter a consciência tranquila.

Quanto à tranquilidade da consciência, duas tendências: de um lado, quem vive sem culpa por pura inconsequência ou falta de juízo; do outro, quem vive religiosamente pautado pela noção da culpa imperdoável ou irresgatável. No meio, a coragem de agir de acordo com o que acredita, nem que, para isso, seja atacado por ambos os lados.

5 de junho de 2013

Fatos Reais

A nobreza de um rei não se mede pelas dimensões de seu reino, mas pela imensidão da sua humildade.

A autoridade não é um território que se conquista com guerra, mas um trono que se herda enquanto filho da integridade.

Um verdadeiro súdito do reino não serve apenas ao rei; antes, é fiel aos seus irmãos compatriotas.