28 de abril de 2012

Paciência e Compreensão

Imaginem que sou uma pessoa pós-moderna: consciente e militante, luto contra os males do mundo e exijo respeito ao ser humano. Daí Fulano, pessoa muito amada, decepciona-me com violência. Diante disso, tenho duas escolhas: ou agir contra Fulano, ou agir contra a violência.

Se escolho a primeira opção, posso tranquilamente descer a porrada no infeliz, já que o problema não é a violência em geral: é a violência de Fulano contra mim. Deixo de lutar contra os males de mundo, lutando apenas contra os males que me fazem. Deixo de exigir respeito ao ser humano, exigindo apenas que me respeitem. Deixo até de amar Fulano, amando só a mim. Enfim, exerço minha paradoxal pós-modernidade, acreditando que o mundo sou eu.

Por outro lado, se escolho a segunda opção, necessariamente preciso agir por outro meio não-violento, frequentemente com paciência e compreensão - as quais, ao contrário do que muitos pensam, são a melhor arma contra as deficiências morais. Compreendo quanto é fácil cair na violência e, em um ato de extrema coragem, resisto à vontade inicial e perdoo a queda alheia. Não acho que o mundo sou eu, mas sei que as falhas e dificuldades das pessoas também são potencialmente as minhas.

Ser paciente e compreensivo não é ser conivente, é apenas saber separar o ato cometido da pessoa cometedora, deixando de criar círculos viciosos. Se alguém é muito violento, ou ignorante, ou falso, ou arrogante, ou tudo isso junto, ou ainda qualquer outra coisa ruim, não preciso - nem devo - gostar dessas atitudes, mas também não posso responder na mesma moeda. Seria paradoxal que alguém aprendesse, por meio de uma arma, que o uso dela não leva a lugar nenhum. O problema é que somos seres essencialmente paradoxais.

3 comentários:

  1. Infelizmente muitas pessoas nao entendem isso. Há 4 anos atrás falei para uma pessoa muito querida que a perdoava para que o círculo de ódio terminasse naquele momento e salvasse nossa relação. Ela ainda retribuiu com violência(nao me refiro à violência física), mas eu lhe mostrei mais compreensão.
    Claro que vc nao êh obrigado a perdoar quem nao pede perdão, mas muitas vezes a pessoa que vc achava conhecer tão bem comete um ato violento por puro sofrimento (psicológico ou físico), se tratando de um grito de socorro.


    Belo texto

    ResponderExcluir
  2. Olá meu caro,

    Impressiona-me sua reflexão nesse momento, pois por volta desses mesmos dias, eu vivi um causo aqui que me fez faz uma reflexão parecido, não tão bem articulada quanto a sua, no entanto, que seguia os mesmos caminhos contraditórios do ser humano...

    Muito o que pensar ainda, mas agradeço e parabenizo sua reflexão!

    Saudades,

    Rafa

    ResponderExcluir
  3. É, concordo! É difícil de fazer mas precisamos exercitar a virtude para o nosso bem e para o bem de todo mundo.

    ResponderExcluir