23 de dezembro de 2012

Poética do Olhar

Xícara de café com espuma em formato de máquina fotográfica. Fotografia da comunidade "Procura-se fotógrafo".

Delicadamente apressada, pôs a bandeja em cima da mesa e sentou-se. Cabelos cacheados, óculos coloridos, vestido esvoaçante e uma timidez ingênua tão peculiar ao derramar aquele açúcar tremido na mesa que me encantou em cheio. Cúmplice, identificava-me com todo aquele atrapalhamento doce e esfomeado.

Após adoçar o café e a mesa, lambeu com gosto a colher e os dedos e olhou ao redor, atenta, afugentando qualquer olhar que condenasse o ridículo da vida subjetiva. Bagunçou meticulosamente os cabelos e ajeitou as belas louças da cafeteria, como quem se arruma para uma festa de arromba. 

Tal cena me embebedava.

Após o terceiro gole quente e uma mastigada elástica, respirou fundo e sorriu.

Com a mão perdida pela bolsa, sacou um celular multiuso e começou uma verdadeira dança ritualística em volta da bandeja, buscando o melhor ângulo para a foto. Foto? Ao primeiro clique, um barulho desengonçado que ela logo desativou discretamente para evitar comentários. Era preciso esconder a captura, mesmo com a ideia posterior de compartilhar com todo mundo tais imagens tão prosaicas e poéticas. Imagens paradoxais, captadas na miúda e espalhadas para serem comentadas.

Clandestinamente feliz, fotografou em primeiro plano a xícara de perfil, o pires adocicado, a colher lambida. Em segundo plano, o queixo torto, os ombros dourados, os cachos coloridos e os lábios úmidos do café forte: sim, em segundo plano e desfocado, como um escritor que arranja qualquer pretexto real para, no fundo, falar de si.

Era uma cena única: concentrada, desdobrava-se na cadeira, quase subindo na mesa enquanto segurava em vão o vestido rebelde, esticando os braços para registrar mais e mais as imagens abertas daquele momento sublime do café. Engajada e desastrada, foi ficando séria, quase brava por não conseguir captar ao mesmo tempo os grãos de açúcar da mesa e a ampla beleza amadeirada do lugar.

Queria tudo em um único clique: mas em detalhes.

Pretenso, corajoso, desajeitado, com um olhar solícito e trêmulo, ofereci ajuda. Após longo tempo de leitura visual, aproximei-me dela, devagar e sem abrir a boca, e dei o retrato mais completo, prosaico e poético que um esboço de escritor poderia oferecer: este mero texto, tal como está.

Assustada e enrubescida  mas prazerosa e com as mãos mais trêmulas do que nunca – enquanto lia e sorria – simplesmente levantou o celular e foi me mostrando toda tímida as imagens captadas. Coincidência? Um café, os cachos, toda a bagunça do açúcar derramado e, ao fundo, bem ao fundo, uma surpresa: a imagem do escritor de olhos arregalados.

16 de dezembro de 2012

O Inferno Sonoro

Acredito que um dos maiores poderes da literatura - ou melhor, de nós, leitores - é colocar em diálogo escritores distintos e distantes. Exemplo nítido disso é a abordagem dos perspicazes escritores Ricardo Piglia e C. S. Lewis acerca do ruído.

O argentino Piglia, em seu ensaio "Retrato do Artista" (2000), não apenas constata o ruído como principal marca constitutiva de nossa sociedade, mas completa:
"Ao mesmo tempo, os músicos contemporâneos comprovam e dizem o que ninguém sabe: que a cultura de massa não é uma cultura da imagem, mas do ruído.
Pela janela aberta do estúdio de Gandini chegavam os rumores do mundo. Uma confusa profusão de sons inarticulados, cortinas musicais, alaridos políticos, vozes televisivas, sirenes policiais, anúncios de concertos internacionais e rock-and-roll.
No extraordinário capítulo das "Sereias" no Ulysses (que é dedicado à música), Joyce deu a perceber que o capitalismo é um matagal de ruídos e que não há Ulysses que resista àqueles cantos. A risada divertida de Gandini, quando parava de tocar, me fazia pensar que a mítica surdez de Beethoven fora a primeira resolução de um artista ante a crescente presença da cultura de massa como inferno sonoro."
Nesse sentido, no livro Cartas de um diabo a seu aprendiz (1942), Lewis apresenta em uma das epístolas de Fitafuso qual tem sido o objetivo do diabo em relação à humanidade:
"Música e silêncio - como detesto os dois! Deveríamos ser eternamente gratos ao fato de que desde que Nosso Pai entrou no Inferno - bem antes do que os humanos, contando em anos-luz, poderiam imaginar - nenhuma polegada do espaço do Inferno e nenhum momento do tempo do Inferno sucumbiu a qualquer dessas duas forças abomináveis; tudo foi ocupado pelo Ruído - o Ruído, o grande dinamismo, a expressão audível de tudo o que é eufórico, brutal e viril; o Ruído, a única coisa que nos protege dos ressentimentos estúpidos, dos receios sem esperança e dos desejos impossíveis. No fim, transformaremos todo o universo em ruído. Já fizemos grandes avanços nesse sentido quanto à Terra. No fim de tudo, as melodias e os silêncios do Céu serão esmagados pelo ruído."
Diante disso, o que mais me assombra não é constatar o ruído em si como evidência concreta do que é o inferno, mas perceber que cada um de nós - eu, você, todo mundo - temos carregado essa "marca da besta" na maioria das coisas que fazemos.

Tudo tem sido contaminado pelo ruído.

Até mesmo a literatura, tão poderosa ao colocar os mais distintos e distantes escritores para dialogar, já o faz entre tantos, mais tantos, que aquilo que normalmente ouvimos dos textos já não passa de uma discussão infernal sobre algo que não sabemos do que se trata.

O barulho perturba o ouvido e ouvidos perturbados perdem o equilíbrio, ficam sem norte. Quem há de discordar que uma das principais marcas de nossa sociedade é o desequilíbrio e o desnorteio? Pior é que isso tem sido louvado na literatura e nas artes de maneira geral.

Em vez de meros leitores que colocam escritores para dialogar, precisamos urgentemente de pessoas capazes de ouvir, de tocar, de colocá-los na mesma clave.

Precisamos de mais música e silêncio.

No mesmo sentido do que diz Piglia, normalmente definimos nossa geração pelo aspecto da imagem - vide o termo "multiplicidade de pontos de vista". De fato, a multiplicidade de pontos de vista de nossa geração é um avanço, é algo bom. Mas pensando pelo aspecto sonoro, acredito piamente que - para nosso próprio bem - isso não pode se limitar a várias vozes buzinando descontroladamente. Como mostra Lewis, isso nos levará ao inferno. Precisamos ordená-las, colocá-las para funcionar como em uma orquestra repleta de sons distintos, mas melodiosos. Precisamos, quer a gente queira ou não, de um Compositor e de um Maestro.

Eis uma das grandes responsabilidades da literatura - ou melhor, de nós, leitores.

15 de outubro de 2012

Os Saltimbancos e a Política

Rádio. Dia das crianças. Mês de eleições. A repórter perguntou se neste novo século, em tempos de  paz e democracia, ainda é possível manter o viés político e militante do musical infantil Os Saltimbancos. A resposta veio mais ou menos nos seguintes termos: "Veja, assim como na época da ditadura, o musical ainda mantém uma mensagem política. No entanto, em vez da luta contra os opressores, a nova versão (que junta às canções de Chico outros hits como Hakuna Matata) pretende reforçar a questão da união em prol de um bem maior: ao final, bichos e barões se unem, já que todos juntos somos fortes". Em princípio, pareceu-me bastante reducionista e ultrajante tal mudança. No entanto, olhei para nosso cenário político, para as tantas alianças e junções inusitadas, e percebi quão coerente foi a adaptação. E triste.

12 de junho de 2012

Canção Simples


"...e sentir que somos dois,
mas que juntos somos mais.
(...)
Fazes muito mais que o sol."

Ju, feliz dia dos namorados! =-]

12 de maio de 2012

O Tempo

Sempre concordei com quem diz que "o tempo" é o culpado das ausências: sentimos falta (presente) daquilo que já vivemos (passado) e/ou daquilo que almejamos viver (futuro). O problema é que, em plena época de profunda "falta de tempo", as ausências de pessoas e momentos insistem em permanecer, talvez até em maior grau. Assim, já não sei se a culpa é do tempo, ou da falta dele, ou simplesmente de cada um de nós.

Dos males, o menor

"Dos males, o menor." Ainda que ruim, seria melhor do que "o banco das melhores taxas".

4 de maio de 2012

Sem contar o tipo que dá bom dia a todos e opinião a ninguém.

Sem contar o tipo que dá bom dia a todos e opinião a ninguém. É como igreja de turista: com a porta sempre aberta, mas limitada a visitas superficiais e passageiras.

O Valor da Leitura

Prometer comprar todos os livros que sua irmã caçula lhe pedir pode custar caro à beça. Deixar de arranjá-los pode custar muito mais.

3 de maio de 2012

Fogo do Céu

Não que as outras sejam menos impressionantes, mas uma das ideias mais emblemáticas da religião Evangélica é o perdão divino: quanto maior a culpa sentida pelo fiel, mais impressionado ele fica com o modo e a capacidade de seu Deus perdoá-lo e amá-lo incondicionalmente. É isso que garante tanta comoção e devoção.

Do mesmo modo, o que mais impressiona e revolta às demais crenças não são os milagres, os relatos bizarros ou os paradoxos doutrinários – em outras áreas, fatos semelhantes são aceitos normalmente. O que mais estranha os olhos alheios, religiosos ou não, é a multidão de gente vivendo pautada pela noção de culpa. Necessariamente é preciso sentir-se (ou melhor, verdadeiramente ser) culpado para entender, aceitar e proceder de acordo com os mistérios dessa crença – ou melhor, tentar viver de acordo com ela, porque atingir plenamente a santidade seria perder a culpa motivadora; em outras palavras, perder o Espírito Santo, responsável pela consciência da culpa e do padrão ético-moral a ser almejado. [Não é à toa que acredita-se que o único pecado sem perdão é negar o Espírito Santo.]

Daí, entre tantas coisas decorrentes, o nobre valor atribuído nos catecismos às “perseguições do mundo”: quanto mais os que não compartilham da mesma crença culpam e condenam o Evangelicalismo por isso ou aquilo, mais essa culpa imputada serve de combustível para o fogo incessante que segue crescendo ao longo dos séculos. Daí também, como modo de angariar mais fieis, a pregação que igualmente culpa e condena: sendo impossível ficar indiferente, ou você vira parte da fogueira, ou ela tenta queimá-lo.

28 de abril de 2012

Paciência e Compreensão

Imaginem que sou uma pessoa pós-moderna: consciente e militante, luto contra os males do mundo e exijo respeito ao ser humano. Daí Fulano, pessoa muito amada, decepciona-me com violência. Diante disso, tenho duas escolhas: ou agir contra Fulano, ou agir contra a violência.

Se escolho a primeira opção, posso tranquilamente descer a porrada no infeliz, já que o problema não é a violência em geral: é a violência de Fulano contra mim. Deixo de lutar contra os males de mundo, lutando apenas contra os males que me fazem. Deixo de exigir respeito ao ser humano, exigindo apenas que me respeitem. Deixo até de amar Fulano, amando só a mim. Enfim, exerço minha paradoxal pós-modernidade, acreditando que o mundo sou eu.

Por outro lado, se escolho a segunda opção, necessariamente preciso agir por outro meio não-violento, frequentemente com paciência e compreensão - as quais, ao contrário do que muitos pensam, são a melhor arma contra as deficiências morais. Compreendo quanto é fácil cair na violência e, em um ato de extrema coragem, resisto à vontade inicial e perdoo a queda alheia. Não acho que o mundo sou eu, mas sei que as falhas e dificuldades das pessoas também são potencialmente as minhas.

Ser paciente e compreensivo não é ser conivente, é apenas saber separar o ato cometido da pessoa cometedora, deixando de criar círculos viciosos. Se alguém é muito violento, ou ignorante, ou falso, ou arrogante, ou tudo isso junto, ou ainda qualquer outra coisa ruim, não preciso - nem devo - gostar dessas atitudes, mas também não posso responder na mesma moeda. Seria paradoxal que alguém aprendesse, por meio de uma arma, que o uso dela não leva a lugar nenhum. O problema é que somos seres essencialmente paradoxais.

23 de abril de 2012

Recém convertida ao time da Vila

Recém convertida ao time da Vila, restava-lhe entender tamanha graça e emoção de, com fervor igual ou maior, torcer contra o rival da capital. Até que lhe expliquei: enquanto o moribundo não cair mais uma vez, os jogos do Peixe não serão televisionados. E assim, como se o mundo de repente fizesse completo sentido, nascia ali mais uma anticorinthiana - animadíssima, aliás, com as perspectivas positivas prenunciadas pela Taça Libertadores da América. Esperta que é, talvez em breve seja tricampeã mundial, tal como seu namorado tricolor, gozando finalmente do pleno conhecimento da arte do futebol.

21 de abril de 2012

Pedacinhos da Felicidade

« Talvez a solução não seja simplesmente incluir um ou dois dias a mais em nosso amado final de semana. Basta que o tempo deixe de passar tão rápido nos raros momentos de menor ocupação. As férias e feriados - pedacinhos da Felicidade - que o digam. »

16 de abril de 2012

A Felicidade do Eremita

« Até a felicidade do eremita depende das outras pessoas: neste caso, da ausência delas. Eis a mais bela verdade imortalizada por Tom Jobim: é impossível ser feliz sozinho. »

14 de abril de 2012

Evolução Espiritual

Evoluir espiritualmente não é abster-se da vida material; é saber conduzi-la racionalmente. A abstenção (do supérfluo) é apenas uma das consequências, não o objetivo em si.

24 de março de 2012

Promessa

Um dia ainda aprenderei que o bonito não é assumir um monte de coisas das quais não dou conta, mas cumprir completamente o pouco que eu assumir. Saberei que mais honroso do que sair de uma situação complicada é simplesmente ter o discernimento de não entrar nela. Pararei de querer abrir um milhão de portas - como aquelas do saguão de entrada apresentado por Lewis - e simplesmente adentrarei em uma delas, convicto de onde irei repousar minhas angústias e esperanças: convicto de que ela levará a um jardim com um longo caminho pela frente. E minha caminhada será muito menos corrida, pois perderei menos tempo juntando chaves que destrancam portas irrelevantes. E os passos mais vagarosos me permitirão notar as belezas de cada detalhe do novo caminho, principalmente as pessoas que estiverem na mesma rota. E essa contemplação do presente tirará toda a ansiedade do futuro, pois perceberei que, em vez de sozinho, estou seguindo muito bem acompanhado. E saberei finalmente desfrutar dos tantos benefícios dessa companhia, e acharei nela a felicidade que, pelo que sinto, tacitamente me foi prometida.

21 de março de 2012

O Primeiro Passo

Muitos desafortunados deixam de ser felizes por pura falta de oportunidade: a vida acaba forçando-os a se distanciarem daquilo que lhes realizaria. Outros, grandes tolos como eu, às vezes esnobam a felicidade por pura falta de discernimento: não sabem dar prioridade ao que lhes é oferecido com fartura. De um jeito ou de outro, ainda bem que a consciência da própria condição continua sendo o primeiro passo para uma possível mudança de vida.

17 de março de 2012

O Escritor Paradoxal

Eis o escritor paradoxal: não aquele que escreve com forma e conteúdo paradoxais, e sim aquele que nem escreve.

13 de março de 2012

Mesmo se Maquiavel estiver certo

Mesmo se Maquiavel estiver certo ao afirmar: "o homem que tenta ser bondoso todo o tempo está fadado à ruína entre os inúmeros outros que não são bons", ainda assim faltará um detalhe muito relevante: as pessoas que não tentam também.

A certeza da morte não nos impede de lutar pela vida, assim como a dominância da maldade não pode nos impedir de lutar pela bondade.

É no mesmo barco que navegam aqueles que buscam a salvação, mesmo na certeza de já tê-la, e aqueles que assumem Deus como alvo, mesmo na convicção de sua inexistência.

Uma coisa é ser arrastado pela forte correnteza, outra coisa é insistir em remar contra ela - seja qual for o sentido. E é incrível como fazemos tão bem as duas coisas - animais paradoxais que somos - mesmo sabedores de que, assim ou assado, prosseguimos à deriva.

21 de janeiro de 2012

Lançamento do Livro do III Festival de Literatura da Letras

Fotos dos livros publicados, por Israel Antonini
Foto dos livros publicados, por Israel Antonini

No último dia 18 de janeiro de 2012, no centro cultural b_arco, aconteceu o lançamento do livro-coletânea do "III Festival de Literatura da Letras - USP", no qual um conto meu foi publicado.

O festival foi organizado pelos estudantes de Letras da USP em meados de 2008 e premiou os três melhores contos e os três melhores poetas. Meu texto, "O autor do conto", ficou em segundo lugar em sua categoria.

A edição do livro, publicado pela Ed. Humanitas, ficou incrível! Destaque para a linda ilustração de capa de Juliana Cordaro.

Apesar da chuva forte, foi uma festa muito agradável! Além das conversas boas, houve uma performance de Chiu, do grupo Philomundus, e um sarau tão bom que conseguiu até quebrar a timidez que até então me acompanhava naquela noite (e que ainda me acompanha um pouco quando falo da publicação).

Gostaria de registrar o agradecimento especial a Israel Antonini, um dos tantos agitadores que ajudou na concretização da publicação; aos queridos Juliana Peres e Pedro Schmidt, que estiveram presentes na festa e que fizeram da noite um dia especial; e ao Rafael Ireno e à Polyana Ramos, que não puderam estar presentes, mas que de um jeito ou de outro caminham comigo nesta trilha literária com muitos conselhos pertinentes.

Confesso que é estranho reler meu conto, de três ou quatro anos atrás, e sentir um sentimento muito controverso de que aquela não é mais minha voz e de que o conto não dialoga mais com minha subjetividade. Mudaria muita coisa, talvez como tenho feito de lá pra cá com minha vida como um todo. 

Além disso, confesso que é muito estranho ser mencionado no lançamento e nos comentários como "escritor", ainda mais após tanto tempo sem escrever nem um post de blog. Sinto-me um outsider do meio literário, tanto com relação à produção quanto também à leitura. Tenho lido pouco, não sei o que é "escrever" e vejo cada vez mais problemas nas coisas que já escrevi.

Confesso, por fim, que o mais estranho é lembrar que talvez esses sentimentos de estranhamento, de não-pertencimento e de reflexão crítica da própria obra sejam, no fundo, um estopim para o desenvolvimento de um potencial escritor. Um ciclo recursivo, meio paradoxal, como o conto publicado, como as coisas que gosto de escrever, e como a vida em geral.