Postagens

Mostrando postagens de Março, 2011

Sobre os Anjos

« A questão não é se existem ou não anjos infiltrados entre nós; a questão é se o mundo pode ou não alegar que você é um deles. »

A epidemia da reclamação

Nunca houve doença tão contagiosa quanto a epidemia da reclamação. Basta que alguém vocifere uma mísera reclamaçãozinha sobre algo tão banal como, sei lá, "o tempo", para que outrém abra um sorriso de concordância revoltada e comece a reclamar também. Não importa se "o tempo" está calor ou frio demais, se chove muito ou pouco, se o fim do feriado chega rápido ou se o fim do expediente nunca chega - qualquer reclamação gera outra e mais outra e mais outra ad eternum. É a própria reclamação a iniciadora-mór de diálogos, de amizades, até de amores! E de brigas e separações. É reclamando que a mãe dá a luz e é reclamando que a criança nasce. É reclamando que a gente procura emprego e é reclamando que a gente trabalha. Viver é reclamar. É sempre a partir de uma insatisfação com o presente que grandes idéias nascem e o mundo se transforma. É a eterna transformação do mundo o maior motivo de reclamação. Todo mundo reclama de tudo toda hora. Pior é que, se a gente ousa lu…

Tal qual o criminoso

Tal qual o criminoso que pede ao assaltado para, por obséquio, passar-lhe uma parte de seu montante financeiro, assim o conto cujo único valor consiste no respeito à norma culta.

Big Fish in Wonderland

Embora eu saiba que, para muitos, minhas opiniões sobre Tim Burton são sempre meio suspeitas (por conta da minha paixão pela força imagética de seus filmes), preciso compartilhar uma hipótese que não me sai da cabeça há algum tempo. É que tenho visto em "Alice in Wonderland" (2010) muito mais do que uma fraca adaptação de um livro: penso que a história de Lewis Carroll foi mero pretexto para Tim Burton fazer uma escancarada releitura de imagens e questões subjetivas já abordadas em outra grande obra sua, "Big Fish" (2003), filme que também recorre à deliciosa fronteira entre realidade e fantasia. Por favor, leiam e digam se minha hipótese é plausível (ou se estou ficando louco).
Obs.: o texto contém spoilers.
O estopim de ambas as estórias é, no "plano da realidade", o processo de morte de um pai fantasioso e visionário. Alice perde o pai que era considerado louco tal como está prestes a ocorrer com Will, filho do figuraça Edward Bloom. A morte do pai fa…