31 de dezembro de 2010

Ano que foi, ano que vem

Ainda não me acostumei a escrever texto de passagem de ano.

Poderia listar grandes acontecimentos ocorridos, como meu término de relacionamento de mais de dois anos com a Fundap, meu antigo emprego, lugar onde cresci demais em todos os sentidos e que me abriu diversas portas. Lugar que deixou saudade.

Ainda falando em saudade, poderia escrever sobre a volta de ma petite Juliana, de como seu intercâmbio foi uma experiência enriquecedora para nós dois e de como, mesmo longe, mantivemo-nos próximos, juntinhos, caminhando a passos vagarosos e firmes, lado a lado, nesse caminho abençoado e maravilhoso. De como, agora já com mais de dois anos de namoro, o respeito e a ternura continuam nos guiando, e de como ainda me surpreendo com cada qualidade julianística que vai se revelando no simples, no dia-a-dia, no cotidiano. Do quanto ela, Juliana, é uma espécie de luz que me faz enxergar, como num susto, a felicidade.

Falando em sustos, poderia escrever sobre o baita susto que meu amigo Rafael deu em todos nós, e da alegria em saber da minha amiga Camila, pouco tempo depois da operação, que ele já estava bem, lúcido e reclamão como sempre, rs. Poderia falar do quanto a amizade e o incentivo deles e de tantos outros foram importantes para muitas das conquistas desse ano findante e do ano que se aproxima, dentre elas a publicação em livro do conto inédito "Menino no Céu ou A Hora da Escolha", prevista para maio do ano que vem, e a possibilidade cada vez mais concreta de mestrado. Sem o incentivo deles isso absolutamente não seria possível.

Seria inevitável também não mencionar todo o incentivo de minha família, tão admirada e amada. Meus pais, sempre com conselhos edificantes e fortes, ensinando não apenas com palavras, mas principalmente com o exemplo. Admiro demais o quanto são talentosos e esforçados. Esforçados até demais, como quando tentam me ensinar como funciona um automóvel ou como cozinhar decentemente. Fico feliz ao ver todos os projetos que minha mãe desenvolve. Fico feliz ao ver meu pai voltar a estudar. Fico feliz - e assustado - ao ver minha irmãzinha já uma moça tão bonita e inteligente; embora, para "decepção" de seu irmão mais velho, tenha renegado as Crônicas de Nárnia que sempre incentivei com tanto carinho para ficar envolta o dia inteiro nessa coisa de saga Crepúsculo, rs. Embora todos eles não entendam pra quê ler tanto de madrugada ou por que diabos ficar estudando Letras por cinco anos.

Aliás, poderia comemorar por finalmente ser formado bacharel em Letras - Português e Linguística, embora isso acarrete uma já prenunciada saudade de tantos amigos queridos, muitos dos quais me aproximei ainda mais nesse ano e que estarão comigo, jajá, na praia!, comemorando a formatura e mais um início de ano. Já que não pudemos comemorar juntos a vitória da Copa do Mundo.

Poderia escrever da intensa satisfação em dar aulas e da confirmação, cada vez mais clara, que é disso que eu gosto, embora essa missão traga outra meio assustadora: a dificuldade em arranjar dinheiro, rs. Poderia dizer que que nesse ano solidifiquei algumas metas e planos para os anos seguintes, com as quais tenho sonhado e para as quais tenho me preparado. Muitas dessas metas exigem dinheiro, sim, mas a principal, embora difícil, é exatamente a de não fazer de minha vida uma escravidão ao famigerado. Espero seguir firme e forte.

Além de dar aulas, vivi muitas outras paixões. Voltei a algumas, como o estudo de Violão com meu amigo Gagui e o estudo de inglês e francês, e ganhei outra outrora inimaginável: a paixão em dirigir! Também apaixonei-me por alguns filmes muito bons que merecem uma postagem própria! e apaixonei-me por muitas bandas e discos, com destaque para o disco "Música de Brinquedo" do sempre bom Pato Fu. Redescobri minha paixão por alguns escritores como Clarice e Saramago, e deixei aflorar a paixão por outros outrora desconhecidos, como Maria Judite de Carvalho. Escritores que me inspiram a, teimosamente, continuar a escrever, tais como meus amigos Acacio Batista, Ana Carolina, Dayane Okipney e tantas outros, pessoas doces e talentosas a quem admiro e que, como se não bastasse, são leitores construtivos e escrevem bem pacas! Pessoas muito queridas.

Em suma, poderia escrever tudo isso e concluir dizendo - de modo semelhante ao provável discurso da nossa nova presidenta Dilma - que espero para o ano que vem que tantas mudanças positivas continuem acontecendo. Mas sinto que essas palavras não são suficientes para demonstrar toda minha gratidão por mais esse ano e toda minha esperança para o ano seguinte. Sinto que as palavras que escrevi até aqui não bastam. Por isso, espero continuar vivendo e escrevendo, compartilhando com cada pessoa próxima e querida minhas alegrias e sonhos. Quem sabe, ano que vem, eu esteja melhor nisso?

Que Deus continue abençoando todos os nossos planos e sonhos, sendo alvo de toda honra e gratidão. E que o próximo ano seja cheio de paz, alegrias, conquistas e crescimento, tal como esse que acaba aqui. Ótimo início de ano a todos!

Para ser conciso

Para ser conciso, é preciso escrever muito.

4 de dezembro de 2010

Por Amor

Talvez ambas, cigarra e formiga, nunca se toquem do quanto se amam.

Se soubessem, talvez a cigarra tentasse acordar todo dia na mesma madrugada, em plena escuridão do amanhecer, para ir lá, bocejante e desengonçada, tentar acompanhar a incessante marcha operária da outra em busca de folhas sem fim. Cumpriria o papel ridículo de saltitar em meio aos passos firmes e ligeiros de miúdas patinhas incansáveis, terminando a jornada entalada, em plena entrada do formigueiro, empacando o caminho das demais sem trazer uma mísera folhinha. Tudo por amor.

Sem contar que talvez a formiga abandonasse o trabalho da vida toda para ficar ensaiando músicas ao longo do dia, desafinando agudos incorrigíveis nas suas rimas pobres de amor e dor. Cumpriria o papel ridículo de questionar ao sol e à lua como, de repente, a outra deixou de procurá-la nos invernos esfomeantes, e terminaria expulsa do formigueiro e desamparada no frio da solidão. Tudo por amor.

Cada uma, pouco a pouco, deixaria de ser quem era: deixaria de ser amada. Simplesmente por tentar agradar. Simplesmente por pensar que amar é tornar-se a pessoa amada.

Ainda bem que, ao que tudo indica, nunca se tocarão do quanto se amam. Só assim, no mero ser quem são, poderão perpetuar esse amor tão singelo.