4 de novembro de 2010

Caminhada

Vinícius e Juliana caminhando no Parc de la Tête d'Or, em Lyon. Foto tirada por alguma amiga querida.

Acerta quem diz que o melhor do caminho é a própria caminhada.

Em um caminho campestre, por exemplo, é realmente indispensável saber apreciar o perfume das flores, o canto dos pássaros, a imponência delicada das árvores frondosas. Indispensável viver o presente, colher o dia, não apenas saudosar verões ou projetar invernos. Sobretudo quando tal caminhada é metáfora do amor.

Erra, no entanto, quem esquece que o caminho só existe quando leva de um lugar a outro. Que o caminho leva tempo. Afinal, não fossem um ponto de partida e um ponto de chegada, nem haveria caminho; bem como, não fosse o tempo, nem haveria pássaros, flores, árvores.

É impossível colher um dia não plantado.

Há quem defenda a total falta de perspectiva, um simples ir-levando, e a esses resta um mero vagar, não a caminhada em sentido pleno. Resta um vagar como a folha que o outono seca e leva, não a alegria primaveril das flores ao sol diário, os laços íntimos dos pássaros nos ninhos e nas nuvens, as raízes e frutos das sábias árvores. Resta a passividade de ser levado pelo vento, não a liberdade de curtir a brisa com os pés-no-chão.

De fato, não só de primaveras vivem flores, pássaros, árvores; mas é gritante como parte do fascínio que despertam está na corajosa força com que vencem invernos e, cheios de delicada ternura, desabrocham, aprendem a voar, frutificam. Admirá-los ao longo do caminho, afinal, nada mais é do que reconhecer tal verdade. Mais que isso: reconhecer-se como parte integrante dessa verdade, partilhando a força e a suavidade do tipo de passo que o amor exige: "paciente e natural em cada dia, profundo e ao mesmo tempo aéreo, verde e simples".

Acerta quem diz que o melhor do caminho é a própria caminhada, mas acerta ainda mais quem, diante disso, simplesmente caminha.

Com cautela e carinho, passo-a-passo, colhendo e plantando cada dia. Projetando, sim, possíveis pontos de chegada. E sabendo rememorar, com muita alegria e gratidão, o ponto de partida. Em nosso caso, aquele inesquecível fim de tarde primaveril há exatos dois anos: primeiro passo dentre tantos que, graças a Deus, vieram e hão de vir nessa caminhada tão maravilhosa. Linda e delicada como uma flor, livre e alegre como um pássaro, forte e frutífera como uma árvore.

deux anées avec ma chèrie