30 de outubro de 2010

Os gêneros breves

"Os gêneros breves, quando bem praticados, exigem mais que os exaustivos, tanto de quem os comete como de quem os lê. Um aforismo, isto é, duas ou três linhas de pensamento concentrado, dá ao bom leitor mais trabalho que muitas e muitas páginas de prosa corrida. Justamente porque o interesse de quem o escreve é de que o leitor faça por si todo o caminho feito por ele até a fórmula. Um aforismo começa a ser lido depois que se o lê. Já na prosa mais pormenorizada, ao contrário, tudo está lá. Acabada a leitura, resta a impressão. Engana-se por isso quem a julga mais pesada. Ao fim de um dia, alguém cansado não há de se aproximar, prioritariamente, de um Lichtenberg, mas de um romancista ou um ensaísta qualquer, sob pena de não tirar proveito algum do que vai lendo. Outro engano: o de imaginá-la mais demorada. Inversamente, cem páginas de bons fragmentos demandam, além de mais empenho, muito mais tempo do que, digamos, cem páginas de um contorcido Proust. Porque cada frase de um aforista genuíno, sendo independente das demais, exige para si atenção exclusiva, enquanto, em outros escritores, algumas dezenas de páginas servem, por acúmulo, à construção de uma única idéia (um único painel) a ser considerado — páginas e mais páginas e mais páginas para que afinal se saiba que a coisa é realmente conforme já se havia dito na primeira."

NAGEL, G. "Os gêneros breves". In: Lado "b" da minha mente.

24 de outubro de 2010

Sobre Política e Religião (resposta de Mayra Lourenço)

por Mayra Lourenço, em resposta ao texto "Sobre Política e Religião"

"Olá!

Não tenho a mesma capacidade retórica do autor deste belíssimo texto, tampouco tenho o domínio das letras como seus colegas e meu estimado futuro esposo, mas creio que poderei contribuir para o debate com minhas perdidas e alongadas reflexões históricas. Como todo historiador, comecemos por separar as frutas colocando cada qual em sua cesta, para que possamos compreender as suas especificidades; atentarmos a cada cor e sabor para que, posteriormente, possamos ajuntar tudo e fazer uma bela salada de frutas, sabendo qual a importância de cada amora ou maçã dentro dessa imensa tigela; notando qual é mais doce ou amarga e qual a composição exata de cada elemento para elaborar a receita com o gosto perfeito.

Então vamos aos morangos: creio que não podemos colocar no mesmo pote idéias tão distintas, comecemos a descascar as frutas. Socialismo, anarquismo e capitalismo são diferentes modelos de sistema político e econômico. Cada um destes pressupostos teóricos discute a forma que o Estado deve ser organizado e quais elementos e maneiras o homem deve se valer para produzir e reproduzir os artigos de que tem necessidade. Ao se autodenominar socialista, não se está proferindo apenas uma crença em justiça baseada em uma entidade abstrata, ideal e superior. Parto de pressupostos concretos, discutindo científica e racionalmente a forma como o Estado poderia estar organizado, bem como critico a forma encontrada contemporaneamente. Portanto, é absolutamente possível discutir socialismo em uma sociedade capitalista, pois trata-se de um debate relacionado a uma determinada ordem específica de organização social. Ambos tratam de matérias semelhantes: de como deve ou está estruturada determinada sociedade em suas características econômicas e políticas.

Agora às maçãs: concordo plenamente que a religião é um campo que deve ser discutido, na medida em que é parte constituinte e constituidora da sociedade ao atribuir modos de reflexão e conduta dos seres responsáveis pela construção da história. A visão de Eva e Maria influencia até hoje o modo como a mulher é vista na sociedade: de um lado a mulher que destruiu a humanidade pelo seu desejo, de outro o ideal de mulher bela, calma e submissa. Deve-se destacar, também, a importância do ideal de solidariedade e amor ao próximo que salva e salvou tantas vidas no decorrer das últimas centenas de anos. A constituição dos dogmas da igreja é dinâmica e passa por vários processos de transformação, como a criação oficial do purgatório (séc XII) e a extinção do Limbo (séc. XX) no catolicismo, exemplos da historicidade desta instituição; ou a reforma de Lutero que temeu o clamor das massas, ficando sob a asa dos príncipes alemães. Acho que me perdi nas sementes, voltemos à polpa. A religião pode e deve ser discutida em seus aspectos sociais e políticos, como definidora de normas e ações sociais, mas o caráter dogmático deve ficar circunscrito ao ambiente privado, aí sim entra a tradicional justificativa, caro leitor: o Estado é laico sim e não deve basear suas normas em princípios alicerçados na crença pessoal: o deus dos cristãos não é o deus do budista e do ateu, mesmo porque estes não acreditam em Deus.

Posto isto, encaminhemos para a seleção das framboesas. A argumentação do texto ao qual me baseio para produzir esta resposta remete sempre ao conceito de democracia, mas o que será isso? Como não posso, tampouco consigo negar minha formação, vamos à história, voltemo-nos aos gregos que foram os que primeiro cunharam o termo. O conceito tratado aqui diz respeito ao governo das demos criado por Clístenes. Nesta ordem política, a sociedade ateniense foi reorganizada em pequenas unidades e, a partir destas, havia as seleções para participar das instituições públicas. Com este novo regime, a participação nas esferas estatais era permitida a todos os cidadãos; o problema é que este grupo correspondia a apenas 10% da população, na medida em que as mulheres, os escravos e os metecos eram impedidos de participar. A democracia, na sua origem, portanto, não quer dizer governo e voz para todos. Vamos cortar logo esta fruta se não perderei toda a salada: correrei com os acontecimentos. Como se sabe, o período clássico foi substituído pelo helenístico, os gregos dominados pelos Romanos, estes derrubados pelos germânicos que, por sua vez, contribuíram para formar o sistema político, econômico e social chamado de feudalismo, durante a Idade Média e, finalmente, com a desagregação do sistema feudal, surgem as monarquias nacionais e o Antigo Regime. Perdi o fôlego e quase faço um suco. Cheguemos ao ponto: o marco definidor da contemporaneidade e responsável pela derrubada do sistema vigente no século XVIII foi, como é do conhecimento de todos, a Revolução Francesa. Este processo foi alimentado pelos ideais iluministas, que por sua vez reelaboram a idéia de democracia. Neste grupo de intelectuais que se diziam dotados da luz para combater a escuridão do misticismo gestou-se a concepção da participação popular, da educação pública e gratuita e da exaltação da racionalidade humana como ponto fundamental da essência humana E divina. Neste mesmo processo foi produzida, além das citadas, outra idéia presente em nossa carta constitucional: a concepção do Estado Laico, no qual as normas de um determinado corpo político devem ser baseadas no que a razão humana pode abarcar, relegando a crença a esfera particular.

Como já estou me alongando demais, terminemos logo a framboesa para seguimos às amoras. Dentro das concepções iluministas proclamadas e instituídas pela ação revolucionária e contra-revolucionária encontramos diferentes concepções de Estado, como a de Voltaire, que defendia uma monarquia constitucional (e disse que defenderia até a morte o direito de falar, mesmo que não concordasse, mas provavelmente um sans cullotes não o teve como advogado) e como a de Rousseau, que proclamava a soberania popular e o fim da propriedade privada. Mas porque esta última idéia não vingou? Ora, a Revolução Francesa significou o triunfo do ideal burguês, é o capitalismo no topo da montanha-russa (russa?). Pois é, caríssimos: individualismo, exploração do trabalho e ditadura da maioria: eis as partes constituintes do que apaixonadamente chamamos de democracia. É, simplesmente, um regime que pretende a igualdade tratando da mesma forma o que a priori é diferente; em outras palavras, faz parte do sistema democrático que uma idéia se sobreponha a outra, afinal, democracia é a ditadura da maioria, ou melhor, da minoria que fica com o que é da maioria. Proclama-se a democracia como se fosse sinônimo de igualdade; se assim o for vivemos em qualquer outro regime, e não o democrático.

Não estou defendendo a instauração de um estado ditatorial ou acho que as opiniões divergentes devem se calar. Relaxem; não sou stalinista, mas critico a democracia. O que quero dizer é que o Estado laico é pressuposto da democracia, da ordem política gestada durante a R. F. e incorporada a nossa carta constitucional. Liberdade de associação e idéias? Sim. Pode-se organizar igrejas, quantas e da forma que quiserem! Fale e discuta o que puder. A lei permite que a religião deva ser debatida: todo cidadão tem o direito de se manifestar e proferir suas crenças!

Entretanto, o Estado está alicerçado na ordem racional e não na crença. Portanto, o que é considerado particular não pode se valer para o geral, a crença em Deus é individual, não pode ser considerada um princípio social comum.

Ora, basear uma ordem institucional estatal na justificativa de que Deus não quer ou não prega que se faça o aborto é o mesmo que procurar controlar o desmatamento com a justificativa de que os duendes e gnomos estão sendo massacrados. O foco aqui não é decidir entre a verdade e a falácia destas duas proposições ou dos pressupostos religiosos, mas trata-se de evidenciar que as bases de edificação da ordem administrativa se dão a partir daquilo que se pode comprovar, já que foi constituída a partir da filosofia grega retomada pelos iluministas, do caráter investigativo: abortar pode ser proibido se se atentar contra a vida, já que esta é uma garantia suprema da constituição, ou a devastação deve ser evitada pois implica na perda vegetal e processo de aquecimento do planeta, prejudicando os biomas terrestres.

Agora às cerejas! Partindo deste pressuposto, poderíamos pensar que o Estado deveria ser a representação dos anseios e expectativas dos seus habitantes, na medida em que é parte e objeto de determinado meio social. Se a maioria dos brasileiros é cristã, por que não adotar o princípio religioso como definidor das ações governamentais? Entretanto, no Irã se fala de religião no Estado e trata-se de uma ditadura. No regime autocrático brasileiro a Igreja Católica foi a primeira a querer chutar o Jango. E dizem que é na ditadura que a religião não tem vez?

Poderíamos até fazer como no Oriente Médio: juntar política e religião e elaborar um estado teocrático, mas para isso teria de se rasgar a lei máxima: só fazendo uma revolução! “Aux armes citoyens! Formez vos bataillons!”

Hora de misturar:

Chegou a hora de misturar as frutas e fazer, finalmente, a salada. Falar de socialismo não é o mesmo que falar de Deus ou de crenças religiosas, pois se trata de matérias diversas. Discutir socialismo no capitalismo significa debater no campo político e social, elaborando uma reflexão sobre a mesma matéria. O regime democrático não pressupõe igualdade tampouco se fundamenta na ordem de tudo fazer e poder; assim pode-se discutir religião, mas esta deve resguardar-se ao campo da opinião e da crença, sendo impossibilitada sua utilização para pensar as normas e pressupostos estatais. A idéia de estado laico, portanto, gestada junto com a idéia de democracia, corresponde a ascensão da racionalidade e da ciência como fundamento das instituições políticas. Pensar outro estado é possível? Sim. Na verdade acredito que a crítica não deve se voltar a religião, tampouco é culpa de duas ou mais pessoas que participam do jogo político e fazem tudo para vencer. O problema ao qual estamos expostos é a própria estrutura democrática que permite que uma disputa política esvazie a complexidade social, escondendo os problemas sociais de classe e trazendo para o centro do debate uma questão particular que deve ser respeitada e, repito, mantida no âmbito privado.

A democracia não nos representa, não atende aos anseios e necessidades do grupo social que a compõe. Ora, para que serve o Estado? Para atender a sua população? Qual grupo social? Tal qual está organizado, representa os interesses dos grandes capitalistas e senhores de terras. A minoria mandando na maioria. Mudar? Não sei! Pensar? Talvez. Já diria o escritor, só há prática revolucionária com consciência revolucionária.

No final, excluindo as maçãs, produzimos uma bela salada de frutas vermelhas!

Ops! Cadê a faca? Alguém pegou?"

Mayra Lourenço é historiadora, pretensa marxista, educadora, filha da Elayr, esposa do Acácio, dona do falecido Strike e amiga de um monte de “uspianos” que fazem letras.

16 de outubro de 2010

Sobre Política e Religião

Em face dos atuais discursos vazios de nossos presidenciáveis, os quais ignoram qualquer senso crítico ou coerência e visam apenas agradar a grande maioria da população, penso que seria contraditório da minha parte criticar tal postura por meio de textos que visassem apenas agradar a grande maioria de vocês, amigos leitores. É por isso que apresento a seguir algumas idéias soltas; talvez bem polêmicas, mas certamente não-vazias. Haverá quem possa dizer que são apenas brincadeiras forçadas de lógica e retórica, mas haverá também quem saiba descascá-las e espremê-las de maneira que rendam um suco forte, saudável e refrescante.

1. Dizer que questões religiosas não podem entrar em pauta porque o Estado é laico é tão infundado quanto dizer que questões socialistas não podem entrar em pauta porque o Estado é capitalista. Uma coisa é não concordar com a religião ou com o socialismo; outra coisa é querer impedir que o povo e os candidatos discutam tais questões. Uma coisa é não concordar com o que uma pessoa diz; outra coisa é não defender até à morte o seu direito de dizer. Uma coisa é democracia; outra coisa é ditadura. Apenas em ditaduras não se permite falar de religião. A mesma Constituição Federal que afirma que o Estado é laico também afirma que todo cidadão tem direito, desde que respeitados os direitos alheios, à livre expressão de suas opiniões e ao livre exercício de suas crenças.

2. Em princípio, não se pode condenar quem faz campanha por meio de questões religiosas, pois o candidato que assim faz está exercendo seus direitos democráticos. Quem critica tal cidadão, alegando que o Estado é laico, critica a própria democracia. Não é porque o Estado é laico que se pode criticar a postura dos presidenciáveis; na verdade, pode-se (e é justo) criticá-los porque o Estado é democrático e, por isso, garante a todo cidadão o direito à livre expressão de suas opiniões, sejam elas favoráveis e contrárias ao estado atual das coisas. Sejam elas religiosas ou não.

3. O mesmo Estado democrático que garante aos presidenciáveis o direito de apelar para questões religiosas é, portanto, o Estado que garante ao cidadão repudiar tal postura dos candidatos, seja por meio da livre expressão de opinião, seja por meio do voto. Nesse sentido, não é descabido constatar que a apelação religiosa de Dilma e Serra tem por objetivo exclusivamente uma coisa: o voto. O problema, assim, não está nas questões religiosas em si, mas na deturpação que fazem delas, utilizando-as como trampolim ao poder. Mais do que isso, o problema está na extrema idiotice da parte de qualquer religioso que acredita nas retóricas dos presidenciáveis e de qualquer outro interesseiro. Repita-se: o problema não está em acreditar em um Deus; está em acreditar nos interesseiros que o utilizam com fins gananciosos, tanto nos púlpitos de igrejas quanto nos palanques políticos.

4. Condenar a religião por causa da lamentável postura de interesseiros é como condenar uma faca de cozinha utilizada em um assassinato a facadas; é sentenciar que a faca de cozinha deve ser presa enquanto o verdadeiro assassino fica impune. Quem defende a distância entre religião e Estado é tão prudente e maduro quanto quem deixa uma faca de cozinha fora do alcance de uma criança ou de um louco. Quem se deixa levar pelo discurso vazio dos presidenciáveis é tão inconsequente e infantil quanto um adulto que pega a faca do armário, dá para uma criança e diz: "corta o titio, corta". E quem diz que a facada é culpa da faca de cozinha é tão inconsequente e infantil quanto o louco que a dá na mão de uma criança.

5. A tática dos presidenciáveis se adapta à realidade; ou seja, os candidatos só têm apelado à religião porque há quem cai neste apelo. Isso não significa que todos os religiosos caem nela, tampouco que o problema está na religião. O problema está nos tolos influenciáveis e nos mercenários aproveitadores. Só existem mercenários aproveitadores porque existem tolos influenciáveis. Uma coisa vem antes da outra. A necessidade de leis como a "ficha limpa" é um exemplo disso, pois se não houvesse quem votasse em maus candidatos, não seria necessário proibir que se candidatassem. A existência de quaisquer leis em nosso Estado indica que algum dia se concluiu que é bom que sejam cumpridas, tal como a emergência do debate sobre questões religiosas indica que é bom que sejam debatidas. Nem impostas, nem excluídas: debatidas.

6. Por mais que o Estado seja laico, os religiosos têm todo o direito democrático de reivindicar dos políticos suas crenças, tal como os ateus, os socialistas, quaisquer outros. Mesmo quem não concorda com essas crenças colocadas em debate não pode discordar do direito de serem debatidas. O uso mercenário de questões religiosas não significa que essas questões sejam mercenárias, tampouco que mereçam nojo. Quem merece nojo são todos os mercenários - políticos ou religiosos - que usam inconsequentemente a religião, instrumento tão comum, necessário e cortante quanto uma faca de cozinha. 

7. Quem vota na Dilma porque acredita que Serra é um mal-maior não necessariamente compartilha de toda a pauta política dela; do mesmo modo que alguém religioso não necessariamente compartilha dos abusos que, infelizmente, existem em algumas igrejas. Condenar a religião e todos os religiosos por causa da triste campanha que temos assistido é não apenas sentenciar a prisão da faca de cozinha, mas sentenciar também a prisão de todos os adultos, apenas por causa de uns poucos que deram a faca na mão da criança. Prisão rima muito com ditadura.

8. Em um Estado laico e democrático, é incoerente que se condene a religião ou todos os religiosos por conta das atrocidades cometidas por alguns mercenários. Mais do que incoerente, é inaceitável que um religioso lúcido, que detém a faca da religião nas mãos, faça a loucura de entregá-la a tais cretinos. Fazer isso, repita-se, é dar a faca para uma criança e dizer: "corta o titio, corta". Pode ser que a facada corte um dedo; pode ser que a facada serre o pulso. Caso a situação já tenha chegado a tal ponto, deve-se pensar: apesar da dor, é possível viver com apenas nove dedos. E quanto ao pulso?

3 de outubro de 2010

O Grande Herói do Povo

(conto infantil, a ser ilustrado)

Era uma vez o Grande Herói do Povo.

Ele empenhava toda sua vida na luta contra a Injustiça. Caçava bandidos perigosos. Enfrentava monstros poderosos. Protegia os fracos e indefesos. Todos amavam o Grande Herói do Povo.

Um dia o Grande Herói do Povo matou a Injustiça! Prendeu todos os bandidos perigosos! Dominou todos os monstros poderosos! Deu segurança a todos os fracos e indefesos! Foi uma vitória fantástica! Todos comemoraram aquela vitória!

Mas a festa durou pouco tempo. De repente, o Povo parou de amar nosso Grande Herói.

Todos os fracos e indefesos começaram a reclamar: Você não é mais o mesmo! Você não luta mais contra a Injustiça! Você não caça mais bandidos perigosos! Você não enfrenta mais monstros poderosos! Queremos outro Grande Herói.

Enquanto o povo reclamava, a Injustiça ressuscitou. Ela estava ainda maior e mais forte. Virou a Grande Injustiça do Povo.

Foi assim que nosso Grande Herói perdeu a luta contra a Injustiça. Ninguém viveu feliz para sempre. Mas o Povo estava feliz assim.