26 de junho de 2010

Chega de Saudade

Juliana e Vinícius. Foto de Vinícius Cássio Barqueiro.

CHEGA! Esperei tanto por este dia... esperava há dez meses atrás que hoje seria o "recomeço"... Enfim, confesso que surpreendi-me. O dia tão ansiado chegou, mas não haverá recomeço. Porque recomeçar é retomar algo parado. E nada ficou parado ao longo desses dez meses de "distância". Graças a Deus, avançamos. Aprofundamos ainda mais nossa cumplicidade, nossa leveza, nossa confiança, nosso respeito, nosso prazer na caminhada conjunta: passo-a-passo, dia-a-dia, mais-e-mais. E se Deus assim quiser, o abraço apertado no saguão do aeroporto será apenas mais uma decolagem deste vôo tão bonito e corajoso, ainda que cheio de escalas, ainda que turbulento nos maus tempos, ainda que escuro nas horas sem sol. Ainda que imprevisível. Afinal, faz parte dessa beleza corajosa a imprevisibilidade, o aperto, as manobras arriscadas, a reconquista cotidiana... o Amor, no sentido mais concreto e prático do termo! Ainda surpreende-me tanta cabeça nas nuvens e pés no chão, tanta força e ternura, tanta felicidade palpável: mais-e-mais, dia-a-dia, passo-a-passo. E se essa caminhada nos reservar qualquer surpresa pela frente, espero que sejam surpresas boas, muito boas, tão boas como a própria chegada da Juliana - depois de tanta espera - aqui, em minha vida. Pra ficar.

12 de junho de 2010

5 de junho de 2010

Alice in Wonderland

Para mim, falar de Alice é falar de expectativas. Primeiro porque era grande minha expectativa pela estréia do filme - e ela foi quebrada de maneira surpreendente. Segundo porque julgo o tema "expectativa" o próprio fio condutor do enredo - muito bem construído, na minha opinião. Terceiro porque vivo um momento de grande expectativa - e nada mais natural do que usar a fantasia para lidar com minhas próprias questões subjetivas.

Por um lado, esperava que o filme fosse uma grande aventura empolgante. Decepcionei-me. O filme chega a ser monótono em alguns momentos e a tentativa de ao mesmo tempo agradar os fãs do Lewis Caroll, da Disney e do Tim Burton não parece ter sido tão bem sucedida. Ninguém é capaz de agradar a todos, nem mesmo um filme com Jhonny Depp.

Por outro lado, não esperava que o filme tivesse um enredo dos mais geniais. Surpreendi-me. O "país das maravilhas" de Alice é um "sonho" onde ela lida com todas as questões subjetivas que envolviam seu casamento armado: não-conformidade com os padrões da sociedade, saudades da infância e do falecido pai, indecisão quanto ao futuro e, principalmente, rebeldia contra essa expectativa que tinham dela.

Nesse grande "sonho", ela retoma minuciosamente cada uma dessas questões subjetivas. Assim, a inconstância de seu tamanho é o dilema da adolescente que de repente se vê adulta. O Coelho Branco é a ansiedade e o medo de atrasar para "seu" próprio futuro, conhecido por todos, menos por si-mesma. Os dois carinhas que anunciam sua missão de matar o temido dragão para salvar aquele mundo são as duas gêmeas que anunciam o casamento com o noivo imbecil para salvar financeiramente a família. A sogra autoritária que planeja todo o casamento é a ditadora Rainha de Copas. O bando de convidados fúteis são os paparicadores que seguem padrões ridículos de beleza só para serem socialmente bem-vistos. O Valete que trai a rainha e põe em descrédito o casamento de interesse é o genro que é pego traindo a irmã. A macabra rainha branca é a distante mãe, também esperançosa pelo ato heróico de Alice. O antigo sócio de seu pai é a estranha lagarta, eterno símbolo da metamorfose, que faz Alice se questionar sobre quem era e sobre quem poderia vir a ser. O saudoso pai, empreendedor que era visto como louco, é o Chapeleiro Maluco, o "protagonista" Jhonny Depp, único capaz de entender a garota. Aliás, é linda a cena em que Alice, no sonho, constrói uma despedida para (na minha opinião) seu pai, o Chapeleiro - despedida que não houve na vida real. E vai longe essa verdadeira mesa farta para os psicanalistas de plantão tomarem um chá.

Alice soluciona seu dilema trocando o ato heróico do casamento de interesse pela continuação do trabalho do pai, frustrando a expectativa de todos ao seu redor, inclusive dos espectadores. Sua decisão é um verdadeiro espelho de nossa época. Por um lado, porque reflete exatamente nossa sociedade que, cada vez mais, parece desacreditar na instituição "casamento" e acreditar na instituição "trabalho" como única forma de final feliz. Por outro lado, porque é totalmente o contrário de nossa sociedade, contraditória, que ainda tem as duas instituições como expectativa social muito forte em relação a nós.

Julgo o filme genial exatamente por jogar tão bem na nossa cara, em 3D, todas essas questões de tão difícil trato em relação ao amor, ao trabalho e à morte. É o melhor e mais realista efeito especial que poderia ter.

Tanto em seu defeito quanto em sua qualidade, o filme me fez pensar como é difícil agradar a todos e, principalmente, como é difícil agradar a nós mesmos se não sabemos o que queremos, quem somos e quem podemos ser. Antes de corrermos ansiosos atrás do Coelho Branco da formatura, do novo trabalho e de quaisquer outras expectativas nossas ou alheias, talvez seja bom parar diante de uma lagarta e questionar o sentido de tudo isso. E só assim, tendo claro o que esperam de nós e o que queremos, "ser donzela ou matar mil dragões, ter cautela ou seguir furacões".