27 de janeiro de 2010

Sobre a Viagem


Vinícius e Juliana em Versailles. Foto de Jessica Machado.

Nunca gostei de exageros, embora eu seja exagerado. Talvez seja culpa da minha paixão por paradoxos. Comecei a pensar nisso na viagem. Falavam cada exagero verdadeiro. Que lugares fascinantes! Não apenas pela imponência, nem apenas pelo capricho. Fascinantes pelo misto de grandeza e detalhamento, ambos exageradamente na medida certa. Rios de esmeralda, palácios nobres, jardins de sonhos, obras de arte, construções monumentais! Frutos de muito talento, muita coragem, muita guerra, muita loucura, muita fé, muito tempo! É como se a História toda estivesse ali, palpável. Que privilégio! Listaria tudo isso, aliás até listei num rascunho que acabei de abandonar. É que tiraria o foco deste texto. Dizia eu que comecei a pensar nisso na viagem, e não falo da minha viagem. Falo da viagem dela. É, o intercâmbio. Nunca gostei de me expor, embora aqui esteja. Falavam cada exagero falso. Essa viagem nos afasta, mas nos aproxima tanto! Acho fascinante nossa caminhada, paradoxalmente tão grandiosa e tão detalhada. Fruto de muito talento para driblar situações complicadas, sem imponência e sem caprichos. Muita coragem para lutar nessa guerra cheia de aliados. Muita loucura e muita fé para topar o desafio. Muito tempo! Paradoxalmente, é preciso muito pé no chão e muita cabeça nas nuvens. E isso nós temos demais, ambos exageradamente na medida certa. Muito amor e muita força. Talvez seja culpa da minha paixão por paradoxos. É dificílimo, mas é exageradamente tão simples. Tão agradável! É como se a Felicidade toda estivesse aqui, palpável. Que privilégio! E não é exagero, embora eu seja exagerado. É paradoxal, e disso eu gosto.