21 de agosto de 2010

Arte Pós-Moderna

Após muita insistência, a cigarra conseguiu convencer a formiga a acompanhá-la na aula de arte cigarral.

Chegaram ao local, repleto de cigarras-artistas, e logo ouviram a professora-cigarra bradar:

- Vamos fazer arte pós-moderna, cigarrinhas! Inovem! Rompam paradigmas! Fujam de qualquer lugar comum!

Como num passe de mágica, todas as cigarras começaram a pintar cubismos, surrealismos, abstratismos e toda forma de arte fragmentária, descontínua e perturbadora. Formavam ali uma grande orquestra regida pela clave da dissonância.

Enquanto isso, a formiga pintava detalhadamente a paisagem cotidiana, colorindo minuciosamente toda sorte de grãos terreais, folhas crocantes, pedregulhos montanhosos e gotas d'água arqüirisadas por fechos da luz pós-chuva. Naquela pequenina tela, um pequeno fio de água eterna cortava o chão, paralelando o caminho pelo qual as formigas costumavam marchar em trabalho, religiosamente sorridentes. Era um belíssimo quadro, quase clássico.

Ao verem aquela imagem, as colegas cigarras começaram a caçoar da pobre formiga. Por meio de gargalhadas e gritos, diziam que a formigola nunca conseguiria ser tão diferente e pós-moderna quanto todas elas.

A professora, porém, boquiaberta, observava. Primeiro em silêncio, depois em palavras:

- Posso fazer uma observação? Esse quadro é... é... é um grande exemplo de...

Mas antes que a professora-cigarra teorizasse qualquer coisa, a formiga saiu correndo, fugindo daquele lugar perturbador.

Uma das duas não tinha idéia do valor daquele quadro.

4 comentários:

  1. Adorei!

    Carlos Daniel

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  2. muito bom! Acho que a formiga fez muito bem em fugir! :)

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  3. Vinícius, quando vc lançar um livro vou ser uma das primeiras a comprar =)
    Adorei!
    Beijão!

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  4. que lindo! vou ler suas fábulas para meus alunos e filhos, com certeza... obrigada por alegrar meus finais de dia =)

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