Literatura e Sociedade

Alguns amigos criticam a literatura contemporânea por ser apenas uma brincadeira de forma que não reflete a sociedade em que está inserida. Criticam sua falta de engajamento e seu esvaziamento de sentido. Creio que não há melhor reflexo que este.

Comentários

  1. É, mas devemos restringir essa literatura contemporânea não engajada. Não sei com relação a poesia, mas há sim escritores (em prosa) que dedicam suas obras para tratar de questões extremamente complexas como o nacionalismo, a política, a identidade, a violência, etc. É apenas uma questão de abrir os horizontes para as chamadas "literaturas de minoria".

    Mas foi impossível ler o seu post e não lembrar do Rafa, ahahahaha!

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  2. Bonito texto!

    O engajamento é um problema do ponto de vista estético, porque às vezes (muitas vezes) as obras que seguem esse caminho se tornam planfetos. Por outro lado, trabalhar a forma de maneira descolada da sociedade - numa espécie de mundo ideal - também é um problema sério para mim.

    O pior é que sinto que hoje essas discussões estão ficando cada vez mais fechadas dentro do circuito acadêmico, não por acaso vários escritores são professores universitários - isso me faz pensar se a literatura Brasileira não está se tornando acadêmica da mesma maneira, perdendo um pouco de vida ao meu ver.

    Sei lá... quando leio Drummond, Bandeira, Cecília, Mario de Andrade, Rubem Braga, Clarice e Guimarães Rosa - ao mesmo tempo que existe a pesquisa estética, vê-se também um quê de malandragem, de preguiça, de tesão, de humilde - de brasilidade - de nossa vida.

    Ou mesmo a história e a sociologia... no século passado Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Antonio Candido... todos fizeram estudos sobre o Brasil, de certo que eram acadêmicos, mas se tratava de uma pesquisa humana... Sexta na educação, uma menina da história me disse que não estava gostando do curso porque só tinha visto a parte do Brasil até agora...só depois ia ficar legal. ¬¬

    enfim... não vou conseguir defender meu ponto de vista, até porque ele está se formalizando ao passo que escrevo aqui...rs, por isso, obrigado Vínicius!

    abraço.

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  3. Carol Cotia!

    Obrigado pelo comentário! Fico feliz por vê-la aqui novamente depois de tanto tempo!

    Claro que o texto tem muita influência do Rafa! rs. Aliás, você escreveu no Orkut dele:

    "Aliás, interessante ver como nossas ideias divergem com relação ao post do Vinicius no blog dele, aahahaha!"

    Não entendi no que elas divergem! rs.

    No texto, apresentei como algumas pessoas, alguns amigos, têm criticado a "literatura contemporânea" (quando entendida restritamente aos jogos de forma) por ser alheia à história contemporânea, alegando que isso deixaria de refletir o mundo em que se inclui. Até aqui, não coloquei nenhuma opinião minha, apenas apresentei este fato.

    Daí, a partir deste fato (e essas criticas existem ao monte, concordam?), afirmei unicamente que a falta de conteúdo seria um grande reflexo da sociedade, também sem conteúdo, baseada na aparência e no trabalho em vão, sem perspectiva, sem profundidade. Reflexo ruim, é verdade (porque EU não gosto de literatura assim, rs), mas reflexo fiel. Discorda disso?

    No mais, você lembrou muito bem que existem escritores "engajados" (Rushdie é um deles, né?). Concordo com isso. Acho que a discussão, quanto a isso, fica em torno de outra coisa que o Rafa mencionou bem: como ser "engajado" sem ser "panfletário", sem subordinar a forma às idéias sociais? Porque a literatura panfletária também é um problema na minha opinião. Acho ruins os dois extremos.

    Creio que alguns escritores consigam uma boa literatura envolvida socialmente (Saramago é o que conheço mais de perto), mas creio que são raros. Por isso, inclusive, são denominados ou "marginais", ou "de minoria", ou "cults", ou "acadêmicos". Porque realmente não possuem destaque.

    Aliás, o problema é mais profundo, né, porque a leitura de maneira geral não possui destaque na sociedade.

    Rafa, obrigado também pelo comentário! Vou comentá-lo a seguir! ;-)

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  4. Rafa!

    Obrigado pelo comentário e pelas conversas.

    Não acho ruim que a literatura esteja tomando espaço na "Academia" (aliás, no curso de Letras, muitos criticam a falta de produção literária por parte dos acadêmicos, preocupados apenas com crítica, crítica, crítica).

    Ruim mesmo é haver esta separação entre "o que é acadêmico" e "o que é da vida". Problema é a Academia não tratar "de vida" (e "tirar a vida" de quem lá está, rs).

    Também agradeço por vir aqui tentar formalizar seu ponto de vista. Minhas postagens favoritas são essas que despertam comentários e críticas. Que vão além.

    Aliás, que nossos colegas acham disso tudo?

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  5. "Ou mesmo a história e a sociologia... no século passado Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Antonio Candido... todos fizeram estudos sobre o Brasil, de certo que eram acadêmicos, mas se tratava de uma pesquisa humana... " ah... eu só acho que tanto em relação à sociologia quanto à crítica literária contemporâneas, nós não temos hoje no espaço acadêmico ( ou ao menos no NOSSO espaço acadêmico ) espaço o suficiente para que isso tenha uma certa visibilidade para que aí sim, consigamos dizer: isso é sobre o Brasil, isso não é, isso é engajado, isso não trata da vida. Os estudos tanto do Antonio Candido quanto do Gilberto Freire são um legado que ninguém vai questionar, claro, mas às vezs tenho a impressão de que paramos neles, sabe? E aí, por ficarmos tão presos a eles, não chegamos a conhecer mais profundamente o que há de novo...

    ... ......... .... é... eutambémestouformalizandomeupontodevistaenquantoescrevo!

    =-]

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  6. Sim, Vi, eu compreendi que seu texto permanece neutro na discussão. Aliás, quando citei o fato de as opiniões serem diferentes umas das outras não foi com relação ao seu post, mas sim às "linhas de pesquisa", pois, enquanto o Rafa se baseia na literatura brasileira para formar a opinião dele, eu me baseio na literatura inglesa/indiana.

    Quando eu digo que elas divergem, é no sentido de que existem caminhos diferenes para um mesmo tema de pesquisa: literatura.

    Respondendo a sua pergunta: Não, não discordo do seu post nem do seu comentário, mas tenho ressalvas quando vejo o termo "sociedade baseada na reificação" porque a literatura que eu pesquiso me permite ver um grupo social diferente do nosso. A Índia, por exemplo, teve uma história de líderes políticos e intelectuais que negou durante muito tempo a entrada no capitalismo em seu país.

    Então, primeira ressalva para o meu comentário que não foi tão bem entendido no orkut do Rafa: quando eu disse divergir, quis dizer "ter ideias diversas", mas que não se aniquilam.

    Segunda ressalva: concordo com o post, e naum sei se deixei isso claro, mas enquanto quase todo mundo pensa em literatura brasileira (pois são suas linhas de pesquisa), eu vejo a inglesa/indiana (por meio dos olhos do Rushdie, do Amitav Gosh, e até do cara dos quadrinhos Will Eisel). Isso me leva à...

    Terceira ressalva: quando vcs dizem SOCIEDADE, eu imagino que todos estejam se referindo ao OCIDENTE. O que eu não concordo é com a generalização, ou seja, aplicar a teoria de que literatura contemporânea não reflete a sociedade de maneira geral...Como eu sei que não foi isso que vc quis dizer, então, não temos por que continuar nessa suposta "divergência de opiniões", ehehehehe

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  7. Aliás, pessoal, sabemos das dificuldades da vida acadêmica em sair do papel e fazer algumas conexões com a vida real, né?

    A tão criticada habilitação de inglês tem diversos professores cujos trabalhos são exemplos de intersecções entre a literatura, a sociologia, a antropologia, a história, etc.

    E sei que aqui não é uma sessão de análise mas eu mato dois leões por dia para continuar fazendo com que minhas pesquisas tenham valor no mundo real. Eu estou constantemente tentando tratar "de vida"...

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  8. Só mais uma coisinha. Relendo meus comentário, quero fazer duas correções:

    1ª Quando eu digo: "literatura contemporânea não reflete a sociedade" eu quero dizer: "literatura contemporânea não reflete os problemas da sociedade".

    2ª Rushdie não é um autor "engajado" no sentido de lutar por um ponto de vista. O que ele procura é representar a sociedade em sua forma mais complexa. Ele mesmo se afirma um autor que quer se livrar de todas as ideologias (sendo elas políticas, religiosas, nacionalistas, etc). Por isso, ele nem sequer entra na discussão que o Rafa levantou, pq eu acho que ele consegue resolver bem essa questão.

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  9. Olá,

    Concordo plenamente com a Ju, os estudos de um Antonio Candido ou Sérgio Buarque de Holanda muitas vezes servem mais como uma barreira, como se não houvesse nada a ser dito além daquilo. Mas, sinceramente, acredito que isso aconteça por causa de uma cultura de orelhada (como diz a Iumna). A USP, quanto a crítica literária, segue a linha do Antonio Candido; porém, sabemos que muitos pesquisadores que trabalham com isso não tiveram o trabalho de estudar de maneira descente os textos dele, do Sérgio B.H ou do Freire.

    Confesso que SOCIEDADE para mim significa OCIDENTE; de fato, poderia significar Brasil... e às vezes, me pergunto se limita-se à São Paulo...

    Partilho da idéia do Vinícius de que talvez a falta de conteúdo na literatura seja um reflexo da falta de conteúdo na sociedade. Dai, tenho uma questão até meio idealista - será que se resgatassemos o conteúdo literário, mudariamos a sociedade?

    Abraço a todos

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  10. Desculpem-me pela intromissão nesta discussão. É legal ver debates desse jeito, pena é que eles aconteçam de maneira tão virtual.

    Sobre as questões postas, acho que há algumas visões parciais (no sentido de não estarem completas) Primeiro: as ideias de Gilberto Frreye já são questionadas há muito (Florestan quem o diga), do mesmo modo que as ideias de Candido. É verdade que o debate restringe-se ao meio acadêmico, talvez por que a Academia goste de se alimentar de si. O debate sairá para o mundo real quando sairmos para mundo real...

    Sobre a literatura contemporânea: concordo com a Cotia. É preciso tomar cuidado para não generalizar. Ademais, nosso visão alcança muito pouco do que venha a ser isso de lit. contemporânea. Opinamos sobre aquilo que a midia permite e, como bons acadêmicos que somos, falamos mal. As chamadas literaturas de minoria, por seu turno, gozam de grande aceitação por parte da Academia (penso especificamente na literatura marginal brasileira e africana, até onde meu conhecimento me permite ir). Curiosamente, também gostamos de literatura marginal (pedoem-me a generalizção).

    O que quero dizer é que compartilhamos de um pensamento pré-definido, um conjunto de opiniões que já estão postas e não podemos questionar. Bourdieu discute um pouco isso. Ele diz que não importa se concordmos ou não com certa questão, o fato é que a questão não foi posta por nós (estou fazendo uma leitura rasa dele!).

    Acho seu idealismo, Rafa, um pouco perigoso e um tanto prejudicial. Sonhar com um resgate e coma mudança social inibe as ações em prol destas mudanças. Lembre-se do mito de Pandora e que "esperança" também é um mal.

    A literatura não vai mudar a sociedade, independente de sua forma ou conteúdo. Mas pode, evidentemente, trabalhar naquilo que o Candido chama de "humanização". só que isso até a novela das 7h faz.


    acaciO

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  11. Olá,

    Não esqueça, Acácio, que meu idealismo se tratou de uma pergunta, isso porque venho me questionando se seria possível cultivar uma utópia sem cair na ignorância que marcou, por exemplo, os socialismos e anarquismos do século passado - e como se refletiria na estética da Arte, talvez, buscando entender o que se passa atualmente.

    Sobre a literatura contemporânea brasileira (prosa): não vejo ninguém se destacando. Umas das provas disso está no fato de que não lemos quase nada de atual. Não conheço a literatura marginal, mas me incomoda seu lugar e me interessaria observar as resoluções formais que os autores estão dando para suas questões.

    A literatura pode mudar a sociedade, não entendo como ainda. De fato, ela pode "humanizar"; não acredito que o faça hoje no Brasil.

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  12. Eu também acredito que, de certa forma, a literatura é capaz sim de mudar a sociedade. Porque se eu não acreditasse nem um pouquinho nisso, acho que abriria mão de estudar literatura, porque naõ valeria a pena. E nisso, concordo e ao mesmo tempo discordo do Acácio qd ele diz que

    "A literatura não vai mudar a sociedade, independente de sua forma ou conteúdo. Mas pode, evidentemente, trabalhar naquilo que o Candido chama de "humanização". só que isso até a novela das 7h faz"

    (Não, a novela das 7 não faz, quem faz é novela das 8, com o Manoel Carlos ( ok, parei, foi só pra descontrair) )

    Acho que a novela até tenta de um jeito ou de outro passar sempre um liçãozinha de boa conduta, um "como agir", mas não acredito que isso modifique alguém. E não entrarei no mérito da questão “novela é a justiça do povo” etc etc etc porque não cabe na discussão.

    Quanto à literatura, concordo muito com a idéia da humanização, mas acho estranha a idéia de opor humanização à modificação da sociedade. Se nós somos parte da sociedade, se nós somos a sociedade, acho então que a literatura é capaz sim de modificá-la, ainda que em uma escala pequena e, talvez até individual. Digo isso no sentido de que, depois de ler uma obra X, você já não é mais a mesma pessoa, você mudou um pouco de alguma forma ( ou se não mudou, é porque a obra não te tocou, mas estou falando aqui daquela leitura que faz diferença pra cada um de nós ) e se você já está um pouquinho modificado, isso vai ser refletido nas suas ações, nas suas idéias... assim, considerando que não vivemos sozinhos, e que nossas idéias e ações atingem quem está ao nosso redor, dialogam com as idéias e ações desses outros também, então teremos essas mudanças desencadeando novas idéias, novas mudanças...
    Então, se a literatura conseguir despertar "ao menos" uma sensibilidade... e essa sensibilidade for fazendo diferença quando conversar com a sensibilidade de um outro e por aí afora... em um mundo em que a sensibilidade me parece estar sendo posta de lado cada vez mais, eu já considero vitória da literatura.

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  13. Ju, eu havia considerado o argumento que você utilizou quando postei o comentário. É claro que, não há como negar, a literatura opera na cabeça de quem a lê (toda e qualquer tipo de literatura) modificando o indivíduo. Contudo penso ser utopismo achar que é a literatura quem modifica a sociedade. Não esqueçamos do fator "homem". É ele o único que, de fato, poderá modificar a sociedade. Nese sentido, volto ao Candido e ao poder humanizador da literatura: "[a literatura] traz inerente a si aquilo que chamamos bem e aquilo que chamamos mal, e humaniza em sentido profundo, porque faz viver". Talvez a literatura seja um instrumento que modifique o indivíduo e este, por sua vez, modificará a sociedade.

    Ao citar o Candido também me aproprio do sentido que ele confere à palavra literatura: capacidade de efabulação. Aí ele inclui qualquer manifestação ficcional (inclusive as novelas).
    Mas, restringindo-me somente à acepção que nos compete, devo discordar (mais uma vez!) do Rafa. A literatura de hoje humaniza. Paulo Coelho faz isso (é inegável), Dan Brown faz isso (idem) - dois exemplos de literatura de massa, aos quais repudiamos. Mas também o fazem CUTI (escritor marginal negro), Éle Semog (idem), Ferréz... No entanto, diferentemente dos autores de massa,os últimos (e nãoa literatura deles) operaram verdadeira mudança numa região de São Paulo (perto da sua casa, Rafa, no Capão (ou no Ângela?)).

    Acho, Rafa, que você está esperando um novo Guimarães ou Drummond mas, sinceramente, imagino que a obra destes modificaram muito menos a sociedade do que uma letra de rap do Racionais. Não nego, em absoluto, a qualidade e o valor destes escritores. Mas Racionais e Paulo Coelho falam muito mais à população do que aqueles. É óbvio que há por trás disso inúmeras questões (que não dá pra dicutir aqui); contudo, se queremos mudar o mundo (com e pela (boa) literatura) é bom sabermos o que anda encantando as cabeças por aí (e olha que eu nem falei de Howling ou Stephanie Meyer).

    Uma coisa me ocorreu agora: Drummond e Guimarães são muito bons, é o que a crítica diz. Mas, não sejamos tolos, esta é a opinião de uma certa classe dominante (marxismo via Eagleton). Se o povão recusa tão veementemente a iteratura canônica, não seria este um gesto legítimo de revolta contra a elite?

    (Rafa: algumas coisas são para provocar!!! É, tô fazendo de propósito!!!)

    acaciO

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  14. Olá, queridos!

    Ah, confesso minha imensa felicidade com este debate tão construtivo, mesmo que "virtual"! =-] É bom aproveitarmos todas as ferramentas de que dispomos! ;-)

    Vocêssãomuitonerds! rs

    Confesso também que, ah, minha concepção de "sociedade" se restringe ao ocidente, embora antes eu nem tivesse pensado nesse aspecto que a Cotia lembrou tão bem, sobre aS sociedadeS e aS literaturaS a que podemos nos referir! Obrigado, Coti!

    Aliás, apóio MUITO que sua pesquisa trate "de vida" (embora isso implique a morte de dois leões :P brincadeirinha!). Um dos meus desencantamentos com a faculdade foi perceber que minhas pesquisas em SOCIOlingüística tinham muito pouco de Sociedade num sentido mais concreto. =/ Nisso, fico feliz também ao saber que a habilitação em Inglês tem promovido isso! Espero que ainda me (re)encontre academicamente neste sentido, ao lado de vocês!

    Concordo sim com a Ju de que tomamos alguns autores e algumas idéias como verdades inquestionáveis e que isso algumas vezes nos impede de conhecermos coisas novas... Não que qualquer coisa estabelecida seja ruim e qualquer coisa nova seja boa, entendem?

    Acácio, fiquei MUITO feliz com sua "intromissão"! Concordo com muita coisa que você apresentou, discordo de outras e discordo VEEMENTEMENTE quando você diz:

    Lembre-se do mito de Pandora e que "esperança" também é um mal.

    Não acho que a esperança seja algo ruim. Muito pelo contrário, acho que a esperança é o que nos move na vida, o que nos torna "humanos" (entrando na discussão de vocês sobre "humanização"). Não conheço NINGUÉM que viva sem esperança alguma. Quem não tem esperança está morto. Ser humano é ter esperança.

    A questão deve ser: ter esperança DE QUÊ? O que podemos/"devemos" esperar que aconteça ou que não aconteça? Afinal, esperar que algo não aconteça também é esperar. Por exemplo, você, Acácio, pode ter a esperança de que a literatura não mudará a sociedade e, assim, suas ações vão se basear nessa esperança.

    Acho que a literatura humaniza o homem sim (como TUDO, qualquer outra coisa "humaniza") e, mais ainda, que ela SENSIBILIZA o homem (como a Ju apontou tão bonitamente <3 , pois creio que NEM TUDO é capaz de sensibilizar). Nisso, acho que há livros com um potencial maior de sensibilização do que outros, capazes de mudar esferas individuais que, por sua vez, podem mexer com parte da sociedade. Creio nisso também!

    Por fim, volto um pouco à questão inicial aqui: se entendemos que a literatura sensibiliza o homem e que o homem muda a sociedade, podemos dizer que obras que não tratem "da realidade" são capazes de sensibilizar? ou só são capazes disso as obras que tratam "diretamente" de realidade? Qual o papel da "forma estética" nisso? (voltando à questão do Rafa)

    Às vezes penso que uma obra bem limada esteticamente, embora com conteúdo "vazio", pode trazer um deleite muito sensibilizador, sobretudo a uma sociedade (ocidental) em que TUDO parece ter a necessidade de um "motivo", de algo por trás. Às vezes sinto falta da arte pela arte.

    Abraços a todos!
    Vinícius

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