7 de novembro de 2009

Por não estarem distraídos

"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."

LISPECTOR, Clarice. In: Para não esquecer

5 de novembro de 2009

A Companheira

Vinícius e Juliana no Ibirapuera. Foto tirada pelo próprio casal."(...) ao novo dia
em harmonia,
a sempre forte
e meu suporte
quando vacilo,
porte tranqüilo,
voz de carinho
no meu caminho,
leal, paciente
constantemente (...)"

Drummond




um ano.

1 de novembro de 2009

Cidadão do nosso tempo

"Ser um “cidadão do nosso tempo” é essencialmente afirmar com todas as forças não suportar a mentira e a injustiça, e em seguida, dizer que a verdade é relativa e que não existe certo e errado." ( Edson Camargo )

24 de outubro de 2009

Presença Ansiada

Assim que entrei. Fui dominado por aquela presença. Não a verde do grande quadro negro. Ou a bege dos colegas de classe. Mas a pequena presença azul-celeste. Clara e branca. Esvoaçante. Ansiada. Ela sempre me inquietava. Mas naquele dia. Aquela presença. Tomava toda minha atenção. E tensão. Necessidade de preenchimento. Observava-a de longe. Timidamente. Desejante. Atento. Aquele azul e branco movia-se. Pra lá. E pra cá. Meus olhos compenetrados. Observavam. Ela movia-se. Abria-se em branco. As mãos em movimento. E fechava-se em azul. Lentamente. Passivamente. Ia. E vinha. Eu já não disfarçava a angústia. Desejava-a. Meu corpo se mexia. Erguia-se à procura. À espera. Aos pequenos movimentos. Intensificava-se. Mais. Meus olhos chamavam-na. Ela saia de vista. E voltava. E ficava parada. E logo se movia. Cada vez mais perto. Cada vez mais perto, cada vez mais. Perto. Perto. Perto perto perto. Perto! Dentro de mim! Dentro da sala. De aula. Não ouvia o professor. Mas aprendia. A esperar. A desejar. A desejá-la por dentro. A ler cada sinal. E a chamá-la em silêncio. O sentido da aula estava ali. Tê-la. Para mim. Agora. As mãos em movimento. Impulsos. Mais um olhar. Agora mais nítido. Mais corajoso. Mais corajoso. Mais. Mas. Não! Não faça isso! Corajoso. Já fiz. Toquei-a! Puxei-a para mim. E as mãos cederam-me. E os olhos confessaram o desejo. De ambos. Ela se abria diante de mim, lentamente. Lentamente. Meu corpo relaxara profundamente, suspirante. Tenso. Erguido. Ela estava ali. Em mim. Olhei ao redor. Uma mão segurava-a em meu colo. Forte. A outra mão nas pernas procuravam. Tocavam. Vasculhavam lentamente aquele jeans. De leve. Silenciosamente. E mais. E mais. Mais. E mais e mais. E mais! Dentro dela. E mais. Até alcançar. Até. O ápice. Ergui. Segurei forte. A caneta do bolso. Abri aquela capa azul. Tudo branco. Assinei meu nome na data. Nas datas. Nenhuma falta. Preenchimento completo. Fechei. E entreguei aos outros corpos sedentos, excitados. Beges. O verde ao fundo. Negro. E eu ali. No céu. Com a presença alcançada! Libertei-me daquela dominação. Levantei. Corajoso. E sorri. Saciado. Assim que saí.

26 de setembro de 2009

Pequenas Coisinhas

A formiga e a cigarra estavam sentadas, conversando e observando as primaverais cores e flores que tinham chegado após aquele duro inverno. As maiores brigas tinham passado, mas as pequenas coisinhas ainda floresciam, apertavam. A formiga virou e reclamou:

- Você só fala de você! Por que não falamos de mim?

Daí continuaram a falar da cigarra e de sua mania de falar de si mesma. Ignoravam as flores, as cores, o duro inverno que tinham vencido juntas.

15 de agosto de 2009

É o rio

Daí existem aqueles momentos em que ficamos confusos, perdidos, mergulhados em um rio de alegria e medo. Nessas horas, quem navega sobre esse rio, apesar de nem saber para onde viaja, pode gritar lá de cima o quanto é normal, passageiro e bom estarmos assim. Por mais verdadeiro que seja, isso não salva o mergulhador, principalmente se esse não sabe nadar. O pior é que esse mergulhador que não sabe nadar provavelmente caiu lá do barco lá em cima. O problema não está em quem está sob ou sobre o rio. O problema é o rio.

7 de agosto de 2009

Prosseguimento

Raros são os que diante de textos complexos como este prosseguem na leitura. Há de se ter um quê de coragem, fé e ousadia ao ultrapassar a superficialidade do primeiro parágrafo à espera de motivos para investir o precioso e escasso tempo.

De tal modo são também raros aqueles que buscam ultrapassar minha superficial capa de timidez, simpatia, nerdice, estranheza e complexidade. Não que me entendam completamente ou que concordem com tudo o que eu penso, falo ou faço. É que talvez surjam exatamente dessas incompreensões e discordâncias as melhores conversas, os melhores conselhos, os melhores momentos, os melhores silêncios. É que talvez seja nessa troca que se construa e se fortaleça a relação familiar, as amizades, o namoro e tudo o mais que me (nos) ergue e sustenta. É que talvez todas essas pessoas metonimicamente citadas tenham um quê de coragem, fé e ousadia, não apenas por ultrapassarem minha superficialidade, mas também por adentrarem e atuarem nesse meu universo inescrevível por mim - universo que, de certa forma, é escrito por cada uma delas, por cada um de vocês.

Talvez seja por isso que em épocas como essa sou eu que dou os parabéns a todos vocês que prosseguem nesse complexo texto. Agradeço por deixarem de esperar motivos de investimento do precioso e escasso tempo, pois afinal o que é escasso e precioso de verdade é a própria amizade, a própria família, o próprio amor. Agradeço por prosseguirem comigo. Agradeço por me ensinarem que há de se ter um quê de coragem, fé e ousadia. Agradeço por me ensinarem que há de se ter um quê de alegria, altruísmo e amor.

6 de junho de 2009

Si-Mesmo


Depois do crime, a fuga
A triste história tinha acabado de se revelar completamente quando saiu correndo e correndo e correndo, correndo às cegas, correndo em fuga. Era como se não pudesse enxergar. Não por cegueira, mas por raiva de olhar pra trás, medo de olhar pra frente e vergonha de olhar pra dentro de si-mesmo. Logo ele, que sempre se orgulhou de sua forma de ver os fatos. Logo ele, tão improvável. Maldita alucinação! Correndo, correndo desesperadamente! Tinha acabado de matar a mulher que amava, que tanto amava! Logo ele? Ele! Correndo, confuso, correndo e correndo e correndo, logo ele! Loucura. Ninguém imaginaria que seria capaz de tal crime condenável. Nem ele mesmo. Tudo confuso. Infelizmente, porém, o fato é que estava consumado: ela morta, quem diria, e ele logo interceptado pelo grupo de policiais que o seguiam. Foi o fim?

Depois da fuga, o amor
- Alô? Amor? Oi! Tudo bem, e com você? Que bom! Pois é, parece que hoje vai ser um dia bem difícil. É, julgamento de assassinato. Parece que um promotor matou a namorada com um tiro e nega culpa, acredita? Diz que viu uma alucinação e tal e que daí só atirou porque um outro apareceu querendo vingança e, é, muito, muito estranho. Coisa grave, confusa. Sim, é, vou ser o promotor do caso. Mas à noite a gente se vê, né? Não vejo a hora, amor, não vejo! Estou ansioso! Te amo tanto! Beijo. 

Depois do amor, o julgamento
- Oh, caros senhores, vejam, vejam os fatos: Sim, claro que sabemos que há muito tempo o réu serviu à Justiça, mas não, não podemos nos deixar envolver emocionalmente com este fato! Ora, se me permitem aqui respeitosamente relembrar o ditado popular, de boas intenções o inferno está cheio! Sim, outrora um promotor, sim, sim, outrora colega nobre e justo, sim, claro que sim, outrora inocente, mas agora, agora um assassino, assassino, assassino frio e calculista que merece justa punição! Todo criminoso merece justa punição! Ora, caros senhores, nossa justiça deve ser imparcial, cega, cega a qualquer sentimentalismo! A justiça é cega, senhores! Oh, Meritíssimo, diante de tantos indícios que o laudo mostra e que aqui foram exibidos! Esqueceremos da sanidade mental em que o réu se encontrava? Esqueceremos que não havia mais ninguém no local do crime além da vítima e do réu? Oh, vejam, esqueceremos que o único tiro acertou em cheio a vítima? Não, não, senhores! Só podemos concluir que o réu é culpado, o réu é culpado! 

Depois do julgamento, o crime
- Meu amor! Puxa, não via a hora de te encontrar! Sim, hoje o dia foi bem difícil mesmo, mas valerá a pena, acredite! Ah, sobre o crime de hoje? É, ele foi condenado. Triste, muito triste. Você tinha que ver que crueldade. Ele a levou a um apartamento deserto e atirou. Ele até tentou inventar que apareceu um réu que ele tinha acabado de acusar num julgamento e esse cara teria ameaçado a namorada e dito que ele iria saber o tamanho do sofrimento de ser preso por si-mesmo injustamente e tal. Daí o cara teria ameaçado atirar na namorada, por isso ele sacou o revólver e atirou no cara, mas o cara sumiu e a bala atingiu em cheio sua namorada. Diz ele que depois descobriu que o outro cara era uma alucinação dele mesmo, mas que já era tarde. Pois é, coisa confusa, estranha. Quê? Ah, amor, não se doa por eles. Nada é injusto no mundo! Se chegou a hora de ela morrer, era porque era a hora, não é? E se ele, sempre tão certinho, foi preso, fazer o quê? Motivo houve. Mas, AH! Vamos deixá-lo de lado, meu amor, porque hoje é o lindo e esperado dia! Sim, te trouxe aqui por dois motivos...
Nessa hora, ao som de sirenes policiais, alguém arrombou a porta e entrou gritando:
- Há, achei você! VOCÊ sentirá na pele a dor de ser preso injustamente por si-mesmo!
- Você? O que VOCÊ está fazendo aqui?
- Eu? Há! Você se acha muito superior com essa sua namoradazinha, né? Acham que estão imunes a tudo isso? Você verá, VOCÊ verá! Tenho certeza que você a chamou aqui pra pedi-la em casamento e contar que este é o apartamento de vocês, não é? Tenho certeza! Sei como é! Mas vou acabar com isso agora... Você verá!
Nessa hora, o invasor sacou um revólver e apontou para a namorada do promotor, coitado, logo ele, logo ele que, desesperado, nem ligou coisa com coisa, sacou seu revólver e atirou contra o invasor!
Ela caiu.
O que aconteceu? E cadê o invasor? Cadê? O invasor havia sumido, e a história tinha ficado clara. Tudo havia se encaixado. Alucinação? Ele, deserperado, não soube o que fazer. Ficou estático, confuso, até que, ao prestar atenção às sirenes, saiu correndo e correndo e correndo. 

Depois do crime, a fuga
A triste história tinha acabado de se revelar completamente quando saiu correndo e correndo e correndo, correndo às cegas, correndo em fuga. Era como se não pudesse enxergar. Não por cegueira, mas por raiva de olhar pra trás, medo de olhar pra frente e vergonha de olhar pra dentro de si-mesmo. Logo ele, que sempre se orgulhou de sua forma de ver os fatos. Logo ele, tão improvável. Maldita alucinação! Correndo, correndo desesperadamente! Tinha acabado de matar a mulher que amava, que tanto amava! Logo ele? Ele! Correndo, confuso, correndo e correndo e correndo, logo ele! Loucura. Ninguém imaginaria que seria capaz de tal crime condenável. Nem ele mesmo. Tudo confuso. Infelizmente, porém, o fato é que estava consumado: ela morta, quem diria, e ele logo interceptado pelo grupo de policiais que o seguiam. Foi o fim?

9 de maio de 2009

Procrastinação

"O tempo foi passando e eu, que mantinha minha agenda sempre em dia, tirando as tarefas do caminho, fui adquirindo uma sensação de superpoder que é ao mesmo tempo a nossa criptonita: vai dar tempo, depois eu faço. (...) Sim, eu vou fazer, basta querer. Não preciso de aviso, tudo sob controle.
É a procrastinação que chegou!
(...) tem uma hora que a bruma procrastinadora é inalada, inibindo qualquer iniciativa...
(...) Como sei que isso de procrastinar é uma atitude totalmente mudável, fico mais tranqüila. Afinal, só depende de mim. E disso eu entendo!
E se não entendo, um dia eu vou. Se eu não for, alguém me leva. Se ninguém me levar, eu fico aqui e faço o que tenho que fazer! Se realmente precisar..."

TAKAI, Fernanda. In:Nunca Subestime uma mulherzinha

Vinícius Cássio Barqueiro
Sábado, 09 de maio de 2009

5 de maio de 2009

Mise en Abyme

No último sábado, dia 02 de maio, o Karlisson convidou os leitores de seu excelente blog Nerdson não vai à escola a completarem as falas da tirinha abaixo. O autor da melhor idéia ganharia uma camiseta, o autor da segunda melhor idéia ganharia três bottons e as dez melhores histórias seriam publicadas em seu blog.

Tirinha de Nerdson não vai à escola. 

Em meio a um fim de semana loucamente atarefado e (por isso) procrastinador procrastinador, decidi, claro, participar! Nisso, envolvido na minha peculiar empolgação, decidi mudar os desenhos da tirinha! Um tiro no pé, eu sei, mas um tiro tão tentador! Eis a idéia que enviei:

Mise en Abyme. Tirinha de Vinícius Barqueiro para o concurso de Nerdson não vai à escola.

Conforme combinado, hoje foi divulgado o resultado e, viva, tive a honra de ficar entre os dez melhores e receber "menção honrosa por subverter a proposta inicial"! rsrsrs. =P Fiquei feliz.

Essa promoção ainda me lembrou duas coisas:

1) Nessa história de os leitores terminarem a tirinha, lembrei de um debate que tive recentemente com a Ju e depois com o Rafa e a Cah e a Cotia e a Mi cuja questão era a seguinte: o autor de um texto literário é quem planeja e escreve o texto ou quem lê e atribui significados ao texto? Qual é a opinião de vocês sobre isso? Qualquer dia escrevo mais a respeito.

2) Ao falar de mise en abyme, lembrei que ao escrever recentemente um conto "um conto" para o Programa Nascente USP, estive refletindo sobre o quanto eu gosto desse procedimento criativo de história dentro de história dentro de história. Qual é a opinião de vocês sobre isso? Qualquer dia escrevo mais a respeito.

14 de março de 2009

Filosofia para a Sala-de-Aula


G.K. Chesterton (Daily News, 22 de junho de 1907)

Fonte: HOTTOPOS
Tradução de Gabriele Greggersen

O que o homem moderno precisa compreender é simplesmente que toda a argumentação começa com uma afirmação ponto-de-partida; isto é, com algo de que não se duvida. Pode-se, é claro, duvidar da afirmação base, mas, nesse caso, já estaria dando início a outra argumentação diferente, propondo que se parta de outra suposição. Todo argumento inicia por um dogma infalível, e esse dogma absoluto, por sua vez, só pode ser discutido, se recorrermos a outro dogma infalível: nunca se pode provar o primeiro ponto-de-partida (senão não seria ponto-de-partida).

Este é o be-a-bá do raciocínio lógico. E tem esta vantagem especial de que pode ser ensinado na escola, como qualquer outro be-a-bá. Não dar início a qualquer discussão sem antes declarar abertamente os postulados de cada um, é uma regra a ser ensinada tanto na filosofia, quanto na matemática de Euclides, ou em qualquer aula comum, usando giz e lousa. E penso que esse princípio poderia ser ensinado de forma simples e racional até mesmo ao jovem, antes de aventurar-se pelo mundo, à mercê da “lógica” e da filosofia imposta pela mídia.

Muitas das desorientações e dúvidas no campo religioso, surgem pelo fato de os céticos de hoje começarem sempre, falando sobre tudo aquilo em que eles não acreditam. Mas, mesmo de um cético, o que queremos saber primeiro é em que ele realmente acredita. Antes de começar a discutir, é preciso saber o que é que não se discute. Essa confusão aumenta infinitamente pelo fato de que todos os céticos de nosso tempo são céticos em diferentes graus dessa dissolução que é o ceticismo.

Agora, nós temos (espero), uma vantagem sobre todos esses novos filósofos sabidos: mantemo-nos em sã consciência. Acreditamos que existe, de fato, a catedral de São Paulo; e grande parte de nós acredita em São Paulo. É preciso deixar bem claro que acreditamos em muitas coisas que, embora façam parte de nossa existência, não podem ser demonstradas. Nem é preciso meter religião na história. Diria até que todos os homens de bom senso, acreditam firme e invariavelmente em umas quantas coisas que não foram provadas e que nem sequer podem ser provadas.

De forma resumida, são elas:

(1) todo ser humano em sã consciência acredita que o mundo e as pessoas ao redor dele são reais e não um produto da sua imaginação ou de um sonho. Ninguém começa a incendiar Londres, se está convencido de que seu criado logo o acordará para o café da manhã. Mas não temos provas, em nenhum momento, de que tudo não passa de um sonho. Que algo exista além de mim é uma afirmação que não está comprovada (nem se pode comprovar…).

(2) Todo homem em sã consciência, acredita não somente que este mundo existe, mas também que ele tem importância. Todo homem acredita que há, em nós, um tipo de obrigação de nos interessarmos por esta visão da vida. Não concordaria com alguém que dissesse, “Eu não escolhi esta farsa e ela me aborrece. Fiquei sabendo que uma senhora idosa está sendo assassinada no andar de baixo, mas eu vou é dormir “. O fato de que há um dever de melhorar coisas não feitas por nós é algo que não foi provado e não se pode provar.

(3) Todos os homens em sã consciência acreditam que existe uma certa coisa chamada eu, self ou ego e que é contínua. Não há nenhum centímetro de meu cérebro igual ao que era há dez anos atrás. Mas se eu salvei a vida de um homem numa batalha há dez anos atrás, fico orgulhoso; se me acovardei, sinto-me envergonhado. A existência desse “eu” axial nunca foi comprovada e não pode ser comprovada. Trata-se de uma questão mais do que “improvável” e que é muito debatida entre os metafísicos.

(4) Finalmente, a maioria dos homens em sã consciência acredita, e todos o admitem na prática, que têm um poder de escolha e responsabilidade por suas ações.
Seguramente é possível elaborar algumas afirmações simples como as acima, para que as pessoas possam saber a que se ater. E se os jovens do futuro não vão ter formação em religião, pode-se-lhes ensinar, pelo menos, de forma clara e firme, um pouco de bom senso, três ou quatro certezas do pensamento humano livre.

30 de janeiro de 2009

Insatisfações?

 by Juliana Peres:
"Sim! é maravilhoso!  mas acho também que a gente deve se dar o direito de não se contentar tanto sempre. Eu sempre fui muito rígida com isso comigo, mas de uns tempos pra cá, acho que não dá pra cair tanto no outro extremo. Que não dá pra se obrigar a cair no outro extremo. Que as insatisfações existem e, paciência, a gente não precisa ficar sempre brigando com elas . O  que não pode, o que não dá, é achar que elas são, então, o centro da vida! Que tuuuudo é ruim! E que tudo gira em torno disso, e então, pronto, cabô, que droga de vida! rsrsrs. Isso eu acho péssimo! Aí não dá! A vida tem um montão de coisas boas e bonitas e pessoas adoráveis ao nosso redor também!"
Que neste ano não sejamos alienados que tentam ignorar as coisas ruins, mas que também não sejamos alienados que não vêem o tantão de coisas boas ao nosso redor! ;-)