4 de outubro de 2008

O Sonho

Foi inesquecível. Cada sorriso e perfume e gargalhada e silêncio contemplativo não eram apenas um momento: eram a concretização de anos de expectativa e sonho. Aliás, sonho?! Sim, chegou até a duvidar de que tudo aquilo era real, mas logo lembrou que essa tal história de coisa boa só acontecer em sonho é puro clichê de mini conto. Sorriu.

Era tarde, por isso despediram-se. Foi para a sua casa contando as horas para a manhã seguinte chegar. A viagem seria longa, por isso tinham combinado de aproveitar cada momentinho possível na manhã seguinte.

Assim, chegando em casa, mal adormeceu e já ouviu o despertador programado pra muito antes, já que o medo de atrasar era assustador. Tomou o banho, tomou o café, tomou o ônibus, enfim, tomou coragem, muita coragem, e lá foi.

Quem também foi embora foi o medo de chegar tarde, já que, chegando lá, viu o sonho real: lá estava em frente à porta, sorrindo, em silêncio, apenas esperando o abraço. Correu largando as lágrimas, até parar e ouvir o silêncio mais bonito do momento:

- Meu amor, eu não vou mais. Eu vou ficar.

Ah, era impossível se conter! Pulou e gritou e gesticulou em meio à cantoria dos passarinhos primaverais. O que parecia mini-conto estava prestes a se tornar um grande romance romântico, o mais lindo de todos!

Estava.

De repente tropeçou e caiu e ouviu uma voz conhecida e estrangeira acorde ou vai se atrasar por isso acordou e tomou banho e café e coragem e ônibus e chegou correndo e correndo e correndo muito até avistar alguém na porta e continuar correndo e mais perto e mais perto até ver que sim lá está alguém:

- Infelizmente acho que você se atrasou. Acabou de partir e a viagem é longa. Uma pena!

Ainda tentou acordar, mas não conseguiu. Era tarde demais.