15 de novembro de 2008

Silêncio e Alegria

"O silêncio é o mais eloqüente arauto da alegria. Pequena seria a minha felicidade, se eu pudesse dizer quanto ela é grande." William Shakespeare - Muito barulho por nada 

=-]

4 de outubro de 2008

O Sonho

Foi inesquecível. Cada sorriso e perfume e gargalhada e silêncio contemplativo não eram apenas um momento: eram a concretização de anos de expectativa e sonho. Aliás, sonho?! Sim, chegou até a duvidar de que tudo aquilo era real, mas logo lembrou que essa tal história de coisa boa só acontecer em sonho é puro clichê de mini conto. Sorriu.

Era tarde, por isso despediram-se. Foi para a sua casa contando as horas para a manhã seguinte chegar. A viagem seria longa, por isso tinham combinado de aproveitar cada momentinho possível na manhã seguinte.

Assim, chegando em casa, mal adormeceu e já ouviu o despertador programado pra muito antes, já que o medo de atrasar era assustador. Tomou o banho, tomou o café, tomou o ônibus, enfim, tomou coragem, muita coragem, e lá foi.

Quem também foi embora foi o medo de chegar tarde, já que, chegando lá, viu o sonho real: lá estava em frente à porta, sorrindo, em silêncio, apenas esperando o abraço. Correu largando as lágrimas, até parar e ouvir o silêncio mais bonito do momento:

- Meu amor, eu não vou mais. Eu vou ficar.

Ah, era impossível se conter! Pulou e gritou e gesticulou em meio à cantoria dos passarinhos primaverais. O que parecia mini-conto estava prestes a se tornar um grande romance romântico, o mais lindo de todos!

Estava.

De repente tropeçou e caiu e ouviu uma voz conhecida e estrangeira acorde ou vai se atrasar por isso acordou e tomou banho e café e coragem e ônibus e chegou correndo e correndo e correndo muito até avistar alguém na porta e continuar correndo e mais perto e mais perto até ver que sim lá está alguém:

- Infelizmente acho que você se atrasou. Acabou de partir e a viagem é longa. Uma pena!

Ainda tentou acordar, mas não conseguiu. Era tarde demais.

26 de janeiro de 2008

A Bolha

Era linda, a bolha.

Refletia-se com seu brilho arqüirisante, fascinal. E os ólhos, sóis da manhã. Flutuava entre os cotidianos, magical. Quê, mistério, complexo. Ao lado, em baixo, baixinho, espionava a sensacional. Sentia o calor dos sóis nos seus, as cores diversas, o brilho, todo o mistério dentro daquilo, bolha. Tremia. Era longe, era ilusão. Espionava-a, quietinho, e sentia borboletas quando um brilho, uma faiscazinha, correspondia. Até parece!

Criou coragem. Era preciso pular muito, mesmo, para alcançá-la. Não por causa dela, que agora se colocava à sua altura, chamando-o inhamente. Ele que colocava-se baixinho, quietinho; era consciente, tadinho. Sabia, se a tocasse, explodiria, oras, como de sabão. Sabia! Assim são as bolhas, de outro mundo, irreais. O encanto partiria.

Tentou, apesar, esperançoso, iludido:

Puf!

Mesmo assim, é, bem, os sóis, nascem toda manhã. É que é tudo dôido, doído, acentuadíssimo. Sorriso de vida, eterno como a esperança permanente, estranha.

Era bolha, a linda. Ou melhor, é, linda, e ele não tentou, não tentará, eu acho. É tudo suposição, e ele, tadinho, é consciente. Silêncio.

19 de janeiro de 2008

Montanha Russa

A fila chegou, e lá estavam na Montanha Russa. Ele, e ela, os dois. Ele, o mais velho, quase experiente, só com borboletas de barriga, cotidianas. Ela, desesperada, querendo ir, arrependida, temida disso, a irmãzinha. Ele tentava acalmá-la. Falava, e falava, e falava. Não queria mentir, e isso só atrapalhava. Bem, até ele tinha um medinho. Ela, que já tinha tido medos, e gostado depois, não queria acreditar nisso, de novo. Simples.

Foram. A alegria da coragem era choro: chorava. Ele, que sempre com o medinho, sempre agarrado na barra, hoje não. Apenas segurava-a ela, forte, quase solto de si, por ela, por ela. Seria de arrepiar. Ele, porém, não sentia medo nenhum. Apenas queria vê-la gostar, muito.

Foi-se, se foi, foram, findando, findado.

No fim, o choro, foi sorriso, nos dois, de exclamação! Ela, gostava de medo superado! Que corajosa! Ele, pela primeira vez, sem medinho algum, apesar do risco corrido. Ainda teve tempo de pensar, de concluir, só para si, sem arte, que quando se ajuda o outro, no difícil disso, não se vê os próprios problemas.

Pois era só a vida, raiando, simples.